PÁGINA 259 – DOMINGO, 14 DE AGOSTO DE 1881

CIDADE DE COIMBRA – PORTUGAL

1.1. PASSEIO DE GUSTAVO E TOBIAS POR COIMBRA

Carlão, morador da Res publica Leão Dourado, sai com Gustavo e Tobias para apresentar Coimbra e aproveita para contar um pouco da História da cidade para os rapazes. Os relatos começam a partir da frase que está na página 259 do livro Amor além do Tempo: “— Aproveitando, explicarei um pouquinho da história desta bela cidade.”

Enquanto caminham, Carlão relata o passado de Coimbra.

— Coimbra é o berço de seis reis de Portugal. A cidade teve o seu primitivo núcleo de povoamento no alto da colina, a 160 metros de altura, às margens do Rio Mondego. Os romanos a chamaram de Ermínio, por ter sido erguida nesta colina. Com o aumento de sua importância, passou a ser sede de Diocese, substituindo a cidade romana de Conímbriga, de onde deriva o nome Coimbra. Por volta dos anos 700, os mouros invadiram e ela tornou-se um importante entreposto comercial entre o norte cristão e o sul árabe, com uma forte comunidade moçárabe. A cidade cresceu com um traçado sinuoso de ruas estreitas, ligadas por uma teia de becos e travessas, circundada por grandes muralhas de pedra. Algumas ruas acompanham o traçado destas muralhas.

São tantas histórias que, ao se aproximarem do Largo da Paróquia de São Cristóvão, para de andar e continua com suas explicações antes de mostrar o local.

— A muralha foi construída no período romano e ao longo dos séculos seguintes, sob o domínio visigótico, islâmico e cristão, sofreu sucessivas obras de conservação e alterações. Ela percorria 1800 metros, circundando 22 hectares e contava com cinco portas – da Almedina, da Belcouce, da Traição, do Sol e a Porta Nova – além de inúmeras torres. Em 871, tornou-se o condado de Coimbra e em 1064, se não me engano, Fernando Magno de Leão, reconquista a cidade, que renasce como a mais importante abaixo do rio Douro. Com o Condado Portucalense, o conde D. Henrique e a rainha D. Teresa fazem aqui a sua residência e dentro da segurança de suas muralhas, nasce o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Após alguns minutos, dá uma pausa, dizendo:

— Eu falo demais, não é? Mas adoro repassar conhecimento. Posso continuar? Ou estão cansados? – Começa a gargalhar.

— Claro que sim. Eu gosto sempre de assimilar novos conhecimentos. Pode prosseguir.

— Concordo com Gustavo – diz Tobias timidamente.

— Gostei. Então vos preparais, tenho muito a ensinar – novas gargalhadas.

Carlão aproveita a ânsia dos rapazes e continua descrevendo a história de sua cidade querida: Coimbra.

— Continuando. A cidade cresceu vertiginosamente e no século XII teve sua malha urbana dividida entre a cidade alta e baixa. A Alta ou Almedina, é onde viviam os clérigos, os aristocratas e hoje nós, os estudantes. Do lado de fora das muralhas, temos a Baixa, onde se aglomeravam o povo, os comerciantes e os artesãos. Em meados do século XVI, surgiu a Universidade e a história da cidade passou a girar em torno dela. A UC e a maioria das moradias estudantis estão situadas em Almedina, ou seja, na Alta cidade. Sobre a história da Universidade eu explico no dia em que a visitarmos. Com o surgimento da universidade, a cidade se expandiu fora dos muros e a muralha desapareceu em vários trechos com as reformas sofridas. Coimbra teve tempos difíceis com a invasão francesa e com a extinção das ordens religiosas. Porém, na segunda metade de oitocentos, volta a recuperar o esplendor perdido, surgindo o primeiro telégrafo elétrico na cidade e a iluminação a gás; em 1864 é inaugurado o caminho de ferro e em 1875 nasce a ponte férrea sobre as águas do Mondego. Temos uma população atual de 46 mil almas.

Ao final do relato histórico, Carlão finaliza:

— Pronto. Assim vos situei na história. Agora vamos às construções importantes.

Carlão, com movimentos exagerados dos braços, aponta para a Igreja de São Cristóvão e mais uma vez tece um rosário de informações históricas sobre a localidade. 

Antes de partirem, ainda diz:

— Ah! A Universidade está logo ali atrás, a umas três quadras, pertinho da nossa casa. Então não terás desculpas para atrasos, Gustavo.

Em seguida, seguem a caminhada voltando pela rua Quebra Costas até chegarem à Torre de Almedina. Atravessam por um Arco dentro da muralha, chegam à Porta de Barbacã. Novamente Carlão para em frente aos rapazes e com gestos explica:

— A Porta de Barbacã e a Torre de Almedina faziam parte do sistema defensivo de Coimbra, pertencente à antiga muralha. Essa era a principal porta de entrada da cidade intramuros. Aqui estamos na Baixa de Coimbra.

Após as explicações, fica parado, olhando para a direita e esquerda da rua, falando sozinho. “E agora, eu os levo aonde primeiro? Ah! Já sei!” Depois vira, olhando para Gustavo e Tobias, e diz:

— E agora, eu os levo aonde primeiro? Ah! Já sei.

Depois vira, olhando para Gustavo e Tobias, e diz:

—Vamos subir a rua até a Igreja de Santa Cruz. Falando nisso, essa é a rua da Calçada[1], é uma artéria da cidade de Coimbra, contendo o mesmo traçado desde os tempos medievais. Ela e as ruas contíguas foram alargadas em 1859 a pedido do Presidente da Câmara, por se tratar da estrada principal que liga Lisboa a Porto. Seguiremos pela rua da Calçada, depois pela Rua do Coruche [2] até o Mosteiro de Santa Cruz.

Eles sobem algumas quadras até chegarem a um Largo.

— Este é o Largo de Sansão. Recebeu esse apelido pelo povo devido a uma fonte de mesmo nome instalada em 1592, e esta é a Igreja de Santa Cruz. O altar abriga os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal: D. Afonso Henriques e D. Sancho I. Ela faz parte do Mosteiro de Santa Cruz, fundado em 1131 no exterior das muralhas.

Eles conhecem toda a Igreja, bem como os túmulos, e, ao saírem novamente ao Largo, Carlão diz:

— Ah! Esqueci-me de mencionar: aquela rua ali – apontando para a esquina à direita – é a rua Santa Sofia[3]. Ela foi construída no intento de abrigar de um lado da rua os colégios religiosos e do outro as habitações para professores e estudantes.


[1] Rua da Calçada – Atual Rua Ferreira Borges. Esta é a rua central de Coimbra, a rua que liga a Portagem à rua da Sofia. Corresponde, possivelmente, ao traçado da antiga estrada romana que servia a cidade.

[2] Rua do Coruche – Atual Rua Visconde da Luz.

[3] Rua Santa Sofia – Atual Rua Sofia.

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