Primórdios da Alimentação

“A história da alimentação abrange, mais do que a história dos alimentos, de sua produção, distribuição, preparo e consumo. O que se come é tão importante quanto: quando se come, onde se come, como se come e com quem se come.” […] (CARNEIRO, 2003, p.2)

Primórdios da Alimentação

Desde os primórdios da existência da Humanidade, o homem criou diversos meios para sua sobrevivência, objetos como redes de pesca, arcos, arpões, lanças com bicos envenenados e flechas; as quais proporcionaram ao homem o enriquecimento de sua dieta alimentar. Esta dieta era formada somente por frutos e vegetais, e após a criação das armas, passou também a ser constituída de proteínas, que provinham da carne. O homem para conseguir seu alimento, passou a formar grupos de caça, pois assim, facilitaria a sobrevivência; estes grupos eram nômades, ou seja, deslocavam-se para locais onde encontrassem mais alimentos.

Com a nova dieta, o organismo humano passou a necessitar do sal encontrado nas carnes, e quando a caça diminuía, havia necessidade de buscar novas fontes de sal para compensar esta perda, com isso, vários grupos tornaram-se canibais. Observando os animais, o homem notou que eles lambiam a ardósia, com isso, passou a extrair sal da pedra e futuramente do mar. A extração do sal foi uma descoberta muito importante para a gastronomia.

Através da descoberta do fogo, a pesca e a caça deixaram de ser comida crua e passaram a ser consumida assada em espetos sobre chamas ou brasas. “O fogo foi o primeiro tempero descoberto pelo homem, já que o sabor de uma comida depende da temperatura em que ela é consumida”. (LEAL, 1998, p.17). A partir deste momento surgiu a culinária.

A descoberta do fogo foi um passo primordial para o desenvolvimento alimentar do ser humano, pois através da cocção, os alimentos se tornaram mais duradouros, evitando a sua decomposição e facilitando a mastigação. Franco, em seu livro “De caçador a gourmet: uma história da gastronomia”, relata que mesmo antes da descoberta do fogo, os homens primitivos já se alimentavam de alimentos cozidos:

Os mais antigos fósseis humanos foram encontrados ao longo da Grande Falha Tectônica da África Oriental, onde abundam fontes termais e gêiseres. Paleontólogos acham provável que o proto-homem, mesmo antes de descobrir o fogo, tenha associado o calor proveniente dessas fontes ao de suas presas e ao de seu próprio corpo. Em decorrência, teria cozido caça em tais fontes de calor, numa tentativa bem-sucedida de devolver-lhe temperatura e sabor de presa recém-abatida. Teria, então, cozido alimentos antes mesmo de descobrir o fogo. (FRANCO, 2004, p.6)

O homem primitivo também aprendeu que a semente que plantava; germinava e gerava uma nova fonte de comida. De nômade caçador passou a homem sedentário, começando a surgir, assim, as primeiras aldeias e, posteriormente, as cidades. Estando o homem fixo em um determinado lugar, “as presas que eram capturadas passaram a ser mantidas vivas durante certo tempo, para garantirem um abastecimento prolongado de carne fresca. E assim teve início a domesticação de animais.” (LEAL, 1998, p.18).

Com esta evolução, o homem passou a ter novos hábitos como: levantar-se, sentar-se, dormir, comer em móveis e guardar alimentos em seus lares, utilizando-se de cerâmicas para armazenar estes alimentos. E para conservá-los, o homem começou a acrescentar ervas e sementes aromáticas para ativar o paladar; e criou o forno compacto, feito de argila, que dava o ponto exato dos assados.

Os primórdios da arte culinária estão associados à invenção destes utensílios de pedra e de cerâmica; e graças a eles, diferentes métodos de cocção foram incorporados e pratos mais substanciosos foram criados, tais como: caldos, sopas, purês, pirões, mingaus, tortas, etc.


REFERÊNCIAS:

CARNEIRO, Henrique. Comida e sociedade: uma história da alimentação. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

CARVALHO, Jocyelli; VIEIRA, Juliana. Alimentos e Bebidas – Parte I a IV. Natal, RN: Apostila do curso superior de Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2005, 127 páginas.

FRANCO, Ariovaldo. De caçador a gourmet: uma história da gastronomia. 3ª ed. Revista e ampliada. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.

SENAC, DN. A história da gastronomia / Maria Leonor de Macedo Soares Leal. Rio de Janeiro. Ed. Senac Nacional, 1998. 144p. il.


Os textos sobre gastronomia apresentados neste site são um resumo de partes do Livro “Diário da Gastronomia: De tudo… Um pouco.” Autora: Adriana Tenchini (Projeto em andamento, ainda sem data de publicação).


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