Bartolomeo Sacchi (1421–1481), conhecido pelo nome humanista Platina, é uma das figuras mais importantes do Renascimento no que diz respeito à organização do pensamento gastronômico europeu. Intelectual, bibliotecário do Vaticano, professor de retórica e membro ativo dos círculos humanistas italianos, Platina foi o responsável por escrever aquele que muitos historiadores consideram o primeiro tratado de culinária e alimentação da era moderna: De honesta voluptate et valetudine.

Sua obra marca uma virada profunda no modo como o Ocidente passou a compreender a comida. Diferentemente dos livros medievais, focados na prática culinária para banquetes aristocráticos, Platina introduziu uma visão intelectualizada, alinhada aos valores do Humanismo, que buscava conciliar prazer gastronômico, saúde e moderação. Esse conjunto de ideias inaugura o pensamento culinário renascentista e influencia a gastronomia europeia por séculos.

Humanista, erudito e observador da mesa renascentista

Platina viveu em plena efervescência cultural italiana, período em que o retorno aos autores clássicos moldava todas as áreas do conhecimento. Influenciado por textos de Hipócrates, Galeno, Ateneu e autores latinos, ele procurou reinterpretar as tradições médicas e dietéticas antigas para o contexto do século XV.

Em sua obra, a cozinha deixa de ser apenas técnica e se torna reflexão, tema de estudo e objeto de filosofia moral. Para Platina, comer não era apenas necessidade biológica, mas parte do comportamento virtuoso do homem educado. Sua contribuição foi, portanto, dupla: intelectual e gastronômica.

“De honesta voluptate et valetudine”

O primeiro best-seller gastronômico da modernidade

Escrito entre 1463 e 1465, o tratado De honesta voluptate et valetudine (“Do prazer honesto e da boa saúde”) é considerado o primeiro livro impresso de culinária a alcançar difusão internacional. Publicado em 1470, tornou-se um sucesso imediato, circulando em toda a Europa e sendo traduzido em diversas línguas.

A obra se destaca por diversos motivos:

  • une gastronomia e dietética, explicando como o prazer de comer pode coexistir com a saúde;
  • apresenta reflexões filosóficas sobre moderação, hábitos alimentares e virtudes à mesa;
  • descreve preparações, ingredientes e modos de servir com base nas receitas do cozinheiro papal Maestro Martino, que Platina sistematizou e interpretou;
  • organiza a alimentação dentro de uma lógica médica, moral e cultural, algo inédito até então.

Platina não era cozinheiro, era pensador, e por isso transformou receitas em conhecimento teórico, reafirmando a comida como parte da cultura e da identidade humana. Seu livro libertou a gastronomia da esfera exclusiva da técnica e a colocou no campo das artes liberais, comparável à retórica, música ou filosofia.

O encontro entre prazer, saúde e refinamento

A contribuição de Platina vai muito além de registrar receitas. Ele foi o primeiro autor a defender abertamente que o prazer culinário é legítimo, desde que acompanhado de equilíbrio e discernimento. Para ele:

  • comer bem não era pecado;
  • temperos e sabores deveriam servir à harmonia do corpo;
  • a mesa era espaço de sociabilidade e civilidade;
  • o cozinheiro deveria compreender princípios médicos e dietéticos, não apenas técnicas de fogo ou corte.

O pensamento de Platina cria, portanto, a base intelectual que dará origem, mais tarde, à alta gastronomia e à noção de convivialidade, tão importantes na culinária europeia moderna.

O impacto europeu e o legado duradouro

A influência de Platina foi imensa. Seu livro foi usado por:

  • médicos, que o consideravam um guia dietético;
  • nobres e cortes italianas, que seguiam suas recomendações de hábitos à mesa;
  • cozinheiros, que adaptavam as receitas de Maestro Martino pelos comentários de Platina;
  • intelectuais renascentistas, que o citavam como referência em temas de moralidade e comportamento.

Seu trabalho também contribuiu para difundir ingredientes recém-integrados à cultura europeia (como certas hortaliças, ervas e especiarias) e para consolidar a relação entre culinária, ciência e bem-estar, conceito que continua presente na gastronomia contemporânea.

Platina na história da gastronomia

Se Taillevent simboliza a sofisticação e a estruturação da cozinha medieval, Platina representa a virada intelectual do Renascimento, quando a comida passa a ser analisada, discutida, sistematizada e entendida de forma cultural.

Seu legado se mantém vivo porque:

  • inaugurou o pensamento gastronômico moderno;
  • aproximou cozinha e medicina;
  • conferiu prestígio literário ao ato de comer;
  • estabeleceu bases para os tratados gastronômicos posteriores, inclusive os franceses.

Platina é, em suma, uma das vozes responsáveis por transformar a gastronomia em parte essencial da identidade europeia, unindo conhecimento, prazer e civilidade à mesa.

Para saber mais sobre Gastronomia acesse: Conceitos e Teorias


Eu sou graduada e pós graduada na área de gastronomia e compilei todos os anos de estudo em apostilas que estou transformando em um livro “Diário da Gastronomia. De Tudo… Um Pouco.” (Para saber mais acesse a página A Gastrônoma, A Autora, A Terapeuta, A Multiface). Através deste site postarei informações importantes que contribuirá para aumentar o conhecimento dos leitores na área de gastronomia A parte teórica pode ser encontrada na página Conceitos e Teorias“. Quanto à prática, os leitores podem ir treinando com as Receitaspostadas. Todas as receitas foram previamente testadas.


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A expressão haute cuisine, frequentemente traduzida como “alta cozinha”, refere-se ao conjunto de práticas culinárias sofisticadas desenvolvidas na França entre os séculos XVII e XIX, consolidando-se como um dos pilares da gastronomia ocidental. Mais do que um estilo culinário, a haute cuisine representou um sistema gastronômico, marcado por rigor técnico, hierarquia profissional, apresentação refinada e forte ligação com as elites aristocráticas e, posteriormente, burguesas.

Origens aristocráticas e o papel da corte francesa

As raízes da haute cuisine consolidam-se a partir do século XVII, especialmente durante o reinado de Luís XIV, quando a corte de Versalhes se afirmou como centro de cultura, etiqueta e prestígio internacional. Nesse contexto, a mesa real tornou-se um verdadeiro palco de poder, no qual a organização dos banquetes, a sofisticação das preparações e o controle do cerimonial expressavam simbolicamente a grandeza do Estado francês. Conforme analisam Flandrin e Montanari, a culinária da corte passou a desempenhar um papel político e cultural, associando refinamento gastronômico à afirmação do poder monárquico (FLANDRIN; MONTANARI, 2001; MONTANARI, 2008).

Nesse período, figuras como François Pierre La Varenne, autor de Le Cuisinier François (1651), iniciaram a sistematização de técnicas que distanciavam a culinária francesa das práticas medievais. A redução do uso excessivo de especiarias, o foco nos sabores naturais dos ingredientes e a valorização de caldos, fundos e molhos marcam esse momento.

A consolidação no século 18 e 19

Com o Iluminismo e o surgimento do gosto burguês, a gastronomia passou por profunda transformação. Os cozinheiros deixaram gradualmente as casas aristocráticas e passaram a administrar restaurantes, especialmente após a Revolução Francesa. Foi nesse contexto que a haute cuisine ganhou estrutura.

No século XIX, Antonin Carême, conhecido como o “rei dos chefs e chef dos reis”, elevou a culinária francesa a um status quase arquitetônico. Seus livros, como L’Art de la Cuisine Française, detalhavam métodos, classificações e apresentações monumentais. Segundo Flandrin e Montanari (2001), Carême definiu o vocabulário e o imaginário da alta cozinha, tornando-a um verdadeiro sistema intelectual.

Mais tarde, Georges-Auguste Escoffier simplificou, modernizou e organizou o que Carême havia estabelecido, criando a brigade de cuisine e o conceito moderno de menu. Para muitos estudiosos, Escoffier transformou a haute cuisine em um modelo que seria replicado internacionalmente.

Características fundamentais

A haute cuisine não se restringe a pratos elaborados, mas envolve um conjunto de princípios:

  • Técnica precisa: cortes, cocções e molhos executados com rigor.
  • Seleção criteriosa de ingredientes: produtos frescos, sazonais e de alta qualidade.
  • Apresentação refinada: estética considerada parte da experiência gastronômica.
  • Hierarquia e organização da cozinha: funções bem definidas e disciplina profissional.
  • Cardápios estruturados: da entrada à sobremesa, seguindo lógica de equilíbrio e progressão.

A haute cuisine não se formou apenas a partir da técnica culinária, mas como resultado de um longo processo de construção cultural associado a ideais de elegância, refinamento e distinção social próprios da sociedade francesa. Nesse sentido, a gastronomia passou a funcionar como um marcador simbólico de identidade e hierarquia social, articulando saber técnico, gosto e prestígio cultural (MONTANARI, 2008).

Influência e legado

A haute cuisine moldou não apenas a gastronomia francesa, mas todo o cenário culinário global. Ela é responsável pela estrutura das cozinhas profissionais, pela formalização de técnicas e pela concepção dos restaurantes como espaços de excelência gastronômica.

Embora no século XX tenha dado lugar a movimentos posteriores, como a nouvelle cuisine e as tendências contemporâneas, a haute cuisine permanece como base de formação e referência para chefs em todo o mundo.

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Guillaume Tirel, mais conhecido como Taillevent (c. 1310–1395), é uma das figuras mais importantes da história da gastronomia medieval. Seu nome está diretamente associado ao desenvolvimento de uma cozinha aristocrática organizada, técnica e documentada, algo raro antes do século XIV. Trabalhou para três reis da França, Felipe VI, Carlos V e Carlos VI, e foi durante o reinado de Carlos V, a partir da década de 1350, que alcançou sua posição mais prestigiosa: mestre-cozinheiro real e administrador das cozinhas palacianas.

Considerado por muitos historiadores como o primeiro “chef” no sentido moderno da palavra, Taillevent foi responsável por sistematizar práticas culinárias, organizar brigadas de cozinha e estabelecer padrões que influenciaram gerações posteriores. Ele viveu durante um período de profundas transformações sociais, quando a mesa se tornou elemento essencial da diplomacia, do cerimonial e da demonstração de poder. Sua ascensão na corte foi gradual, ocorrendo ao longo da segunda metade do século XIV, quando sua competência administrativa e técnica ganhou destaque.

O “Viandier”: um marco na literatura gastronômica medieval

A principal obra atribuída a Taillevent é o Le Viandier, um dos livros de cozinha mais antigos e influentes da Europa. Escrito por volta de 1380 (embora versões anteriores já circulassem), o tratado reúne técnicas, métodos e receitas que revelam a sofisticação da corte francesa. É uma obra que confirma a evolução da culinária medieval, marcada pelo uso intenso de especiarias, técnicas de conservação e apresentações exuberantes, rumo a formas mais estruturadas de preparo.

O Viandier apresenta receitas de aves de caça, ensopados, molhos, preparações gelatinosas e instruções sobre a apresentação de banquetes, elemento central da cozinha cortesã medieval. A forte presença de especiarias orientais, introduzidas pelas rotas comerciais, evidencia o papel simbólico da abundância e do espetáculo à mesa. Segundo Trefzer (2009), a obra atribuída a Taillevent ultrapassa a função de simples receituário, constituindo um registro do espírito culinário de seu tempo, profundamente ligado às relações de poder e ostentação nas cortes europeias.

Além disso, Taillevent contribuiu decisivamente para a profissionalização do ofício culinário. Suas instruções refletem uma cozinha hierarquizada, com divisão clara de tarefas e especializações, antecipando estruturas que, séculos depois, seriam refinadas por Escoffier em sua brigade de cuisine.

O cozinheiro do rei e o simbolismo da mesa

Servir a Carlos V, conhecido como “o rei sábio”, significava muito mais do que preparar refeições. A mesa era parte fundamental da política e da diplomacia. A alimentação, cuidadosamente planejada, era expressão de ordem, riqueza e civilização. Nesse contexto, Taillevent tornou-se figura central. Há registros, inclusive, de que o próprio monarca valorizava seu trabalho a ponto de lhe conceder honrarias excepcionais.

O papel de Taillevent ultrapassava a prática culinária propriamente dita, inserindo-se em um contexto administrativo, ritual e simbólico da corte francesa. A organização dos banquetes e o uso controlado dos alimentos expressavam a capacidade do poder régio de converter recursos materiais em magnificência e prestígio político, característica central das cortes europeias medievais (TREFZER, 2009; MONTANARI, 2008).

Legado e influência

O legado de Taillevent perdura como um dos alicerces da tradição culinária francesa. O Viandier continuou sendo copiado e utilizado por séculos, influenciando não apenas cozinhas palacianas, mas contribuindo para a formação da identidade gastronômica da França.

Hoje, Taillevent é lembrado como um dos primeiros autores a encarar a gastronomia como conhecimento sistematizável. Seu trabalho abriu caminho para obras posteriores e ajudou a consolidar a posição da França como referência central na história da culinária ocidental.

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A Idade Moderna marca um dos períodos mais férteis da história no que diz respeito à evolução da alimentação e da gastronomia. Estendendo-se do século XV ao XVIII, teve início com a queda do Império Romano do Oriente em 1453 e encerrou-se com a Revolução Francesa em 1789, evento que simbolizou não apenas uma transformação política e social, mas também profundas mudanças nos hábitos culturais, incluindo os alimentares (LEAL, 1998).

Do ponto de vista gastronômico, a Idade Moderna se destaca por dois acontecimentos fundamentais: as grandes navegações e o florescimento do Renascimento europeu. Esses dois movimentos impulsionaram não apenas o comércio e a ciência, mas também a troca de ingredientes, técnicas culinárias, hábitos alimentares e utensílios entre diversos povos e continentes. Nunca se viram tantas transformações no modo de produzir, preparar e consumir alimentos.

As Grandes Navegações e os Sabores do Mundo

Durante os séculos XV e XVI, expedições marítimas lideradas por potências ibéricas, em especial Portugal e Espanha, abriram novas rotas oceânicas e colocaram em contato diferentes mundos até então isolados: Europa, Ásia, África e Américas. Os produtos que antes vinham do Oriente, como as especiarias (pimenta, noz-moscada, canela, cravo), tornaram-se mais acessíveis à Europa, e outros ingredientes antes desconhecidos, como milho, batata, cacau, tomate, pimentão, abacate e feijão, foram incorporados à alimentação europeia a partir das Américas.

Além disso, o contato com as culturas africanas trouxe novos elementos e modos de preparo que enriqueceram ainda mais a culinária europeia. Essa verdadeira revolução nos ingredientes e temperos alterou profundamente a paleta de sabores disponível e redefiniu o que se entendia por boa mesa. A história da alimentação demonstra que as trocas culturais, inclusive através de rotas comerciais e interações ao longo dos séculos, introduziram ingredientes e técnicas que transformaram os hábitos alimentares antigos e contribuíram para a diversificação dos sabores na mesa europeia (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

O Renascimento e os Prazeres da Mesa

Simultaneamente, o Renascimento, movimento intelectual e artístico que floresceu inicialmente na Itália, trouxe consigo uma valorização inédita dos prazeres terrenos, entre eles, o prazer de comer. Marcado pelo esplendor das artes plásticas, música, literatura e arquitetura, o Renascimento também influenciou os modos de viver e comer na Europa. Como destaca Leal (1998), foi uma época marcada pela beleza das músicas, pelo brilho das artes plásticas e pela liberação dos prazeres, dentre os quais estavam os prazeres gastronômicos.

Neste ambiente cultural de efervescência, surgiram personalidades que moldaram os rumos da gastronomia europeia. Um dos nomes mais notáveis foi Taillevent, cozinheiro do rei Carlos V da França, que imortalizou seu saber culinário no livro Le Viandier (1486). Suas receitas, centradas em molhos espessados com pão e em sopas sofisticadas de cebola, favas e peixe, marcaram uma virada na culinária medieval e influenciaram os futuros refinamentos da cozinha francesa. Taillevent foi o primeiro a sistematizar o uso de especiarias como gengibre, açafrão, pimenta e canela em molhos e ensopados, preparando o caminho para o que viria a se tornar a haute cuisine[1] (LEAL, 1998).

A horticultura também ganhou novo prestígio, com o cultivo de frutas e hortaliças sendo promovido como uma arte refinada entre as classes altas. Entre os frutos mais valorizados, a pera foi celebrada como “a mais civilizada de todas as frutas” (LEAL, 1998). A busca pelo requinte à mesa estimulou a produção de doces, compotas e geleias, que se tornaram iguarias disputadas, principalmente na Itália e na Inglaterra. Obras sobre confeitaria circularam entre os países, e até mesmo o profeta Nostradamus é citado como autor de receitas de doces e frutas cristalizadas.

Com o avanço da imprensa, livros de culinária ganharam popularidade e passaram a circular entre os letrados e aristocratas. Um dos primeiros e mais influentes foi ‘De Honesta Voluptate et Valetudine’, de Bartolomeo Sacchi (mais conhecido como Platina de Cremona), considerado o primeiro tratado de gastronomia da Europa moderna. Sua obra, publicada inicialmente em 1474, teve seis edições em apenas trinta anos, influenciando cozinheiros e intelectuais de toda a Europa (FRANCO, 2004).

Esses acontecimentos não apenas elevaram o prestígio da gastronomia, mas também democratizaram, ainda que de forma lenta e elitizada, o saber culinário, transformando a cozinha em campo legítimo de estudo, experimentação e arte.


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REFERÊNCIAS:

“A Idade Moderna é o período da história posterior à Idade Média. Ela tem início no século XV, com a queda do Império Romano no Oriente, e vai até o século XVIII, quando ocorreu a Revolução Francesa, em 1789.” (LEAL, 1998, p.35)

A expansão marítima dos séculos XV e XVI não transformou apenas mapas, mas também cozinhas. O encontro entre continentes levou novos sabores à mesa europeia, como o tomate, a batata, o milho e o cacau, e deu início a uma revolução gastronômica silenciosa, mas profunda. Com o tempo, essas trocas moldaram a identidade culinária de povos inteiros e pavimentaram o caminho que levaria a comida do campo e dos portos às refinadas mesas da alta gastronomia.

Culinária e Gastronomia Moderna

O encontro entre novos ingredientes, o esplendor renascentista e o avanço das técnicas culinárias deu origem a uma nova forma de cozinhar, mais refinada, criativa e influente.

A Arte da Mesa Francesa

Da elegância renascentista aos primeiros tratados culinários, a Arte da Mesa Francesa revela como a França se tornou referência mundial em sabor, estilo e sofisticação.

Cozinheiros, Revoluções e Alta Cozinha

Cozinheiros visionários, novas etiquetas, apresentações elegantes e técnicas precisas definiram o século XVIII, o momento em que a cozinha francesa atingiu sua forma mais clássica.

Da Corte aos Restaurantes

Da mesa aristocrática aos restaurantes públicos, este período marca a transição que definiu a haute cuisine e estruturou os fundamentos da cozinha contemporânea.

Culinária Além da Europa

Muito além da Europa, a história da alimentação revela sabores que viajam, tradições que se misturam e cozinhas que narram a identidade de povos inteiros.

Considerações Finais

Uma viagem pela transformação da culinária global, onde ingredientes, técnicas e culturas se encontraram para dar origem aos pilares da cozinha atual.

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CAPA: Imagem Adriana Tenchini


REFERÊNCIAS:

CARNEIRO, Henrique. Comida e sociedade: uma história da alimentação. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

CARVALHO, Jocyelli; VIEIRA, Juliana. Alimentos e Bebidas – Parte I a IV. Natal, RN: Apostila do curso superior de Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2005, 127 páginas.

FRANCO, Ariovaldo. De caçador a gourmet: uma história da gastronomia. 3ª ed. Revista e ampliada. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.

SENAC, DN. A história da gastronomia / Maria Leonor de Macedo Soares Leal. Rio de Janeiro. Ed. Senac Nacional, 1998. 144p. il.

 

Ao longo da Idade Média, a alimentação ocupou um lugar central não apenas na mesa, mas também na vida espiritual, política e social dos europeus. Das rígidas regras alimentares impostas pela Igreja aos suntuosos banquetes aristocráticos, da simplicidade camponesa à complexidade dos mosteiros, cada prática alimentar refletia não apenas os recursos disponíveis, mas também crenças, poderes e valores de uma época marcada por contrastes profundos. Como afirmou Jean-Louis Flandrin (2001), “a mesa medieval era o espelho da sociedade”. E, de fato, nela se refletiam desigualdades, hierarquias e um lento, porém constante, processo de transformação.

A gastronomia medieval não apenas sobreviveu aos séculos, ela moldou gostos, transmitiu saberes e sedimentou hábitos que ainda hoje podemos identificar. O uso das especiarias, os modos de conservação, as refeições comunitárias, os doces conventuais, os caldos, os assados e até os códigos de etiqueta à mesa são legados visíveis dessa longa era. Estudar o período medieval nos permite compreender os alicerces sobre os quais as cozinhas modernas se construíram e, sobretudo, perceber que comer nunca foi apenas um ato biológico, é, acima de tudo, um gesto cultural.

Contudo, seria incompleto encerrar a análise da Idade Média apenas sob a ótica europeia. Durante o mesmo intervalo histórico – entre 476 d.C. e 1453 d.C. – outras regiões do mundo também floresciam cultural e gastronomicamente. Civilizações islâmicas, chinesas, indianas, africanas, pré-colombianas e japonesas desenvolveram sistemas agrícolas sofisticados, técnicas culinárias refinadas e tradições alimentares marcantes, muitas das quais influenciariam a história da alimentação global.

As cozinhas do mundo não se desenvolveram de forma isolada, mas em permanente diálogo, ainda que muitas vezes indireto. Assim, para compreender plenamente o legado da Idade Média, é necessário olhar para além das fronteiras da Europa e considerar a pluralidade de saberes e sabores que coexistiram e, em diversos contextos, se entrelaçaram ao longo dos séculos.

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REFERÊNCIAS:

Apesar de o termo “Idade Média” ser uma construção europeia, o período entre os séculos V e XV testemunhou intensas dinâmicas alimentares em diferentes partes do mundo. Civilizações asiáticas, africanas e islâmicas desenvolveram saberes culinários sofisticados, que não só refletiam seus contextos históricos e culturais, como também impactaram as trocas gastronômicas globais que viriam com a expansão mercantil e marítima.

Mundo Islâmico: refinamento, especiarias e heranças clássicas

Com o surgimento do Islã no século VII, o mundo árabe expandiu-se rapidamente, criando um vasto califado que ia da Península Ibérica até a Índia. Essa unificação territorial facilitou a circulação de ingredientes, técnicas e manuscritos culinários, muitos dos quais preservaram saberes greco-romanos. A culinária árabe medieval era marcada pelo uso abundante de especiarias, xaropes de frutas, destilados florais e pratos aromatizados com canela, água de rosas e noz moscada.

No século X, o califa de Bagdá encomendou o Kitab al-Tabikh (Livro de Receitas), atribuído a Ibn Sayyar al-Warraq, uma das obras culinárias mais importantes do período. O tratado registra centenas de receitas e práticas alimentares da elite abássida, revelando um grau de refinamento que rivalizava com os banquetes europeus contemporâneos. Conforme discutido nos estudos sobre a história da alimentação, a gastronomia árabe medieval articulava saber médico, apreço pelo luxo e uma elaborada estética da mesa, exercendo forte influência sobre outras tradições culinárias do Mediterrâneo medieval (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

Entre os pratos típicos, estavam os ensopados com cordeiro e tâmaras, os arrozes aromáticos e as pastas condimentadas servidas com pães finos. A doçaria incluía halawas, confeitos de mel, nozes e especiarias, muitos dos quais seriam levados para a Europa durante as Cruzadas.

China: técnicas sofisticadas e visão cosmológica dos alimentos

Durante a Idade Média europeia, a China viveu períodos de grande esplendor sob as dinastias Tang (618–907), Song (960–1279) e Yuan (1271–1368). A alimentação chinesa combinava a medicina tradicional com a filosofia yin-yang, buscando harmonia entre quente e frio, seco e úmido, leve e pesado.

Na China medieval, a comida era compreendida não apenas como nutrição, mas como elemento de equilíbrio vital do organismo, princípio que orientava desde a escolha dos ingredientes até os modos de preparo. Técnicas como o cozimento a vapor, a fritura rápida em recipientes profundos (como o wok) e os cozimentos em caldos aromáticos à base de ervas e especiarias eram predominantes. Utilizavam-se amplamente arroz, milheto, soja, carnes diversas, além de vegetais fermentados e molhos como os derivados da soja, que desempenhavam papel central na construção dos sabores (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

Durante a dinastia Song, os mercados urbanos ofereceram uma variedade espantosa de comidas prontas, vendidas por ambulantes: bolinhos cozidos no vapor, massas em caldo, chá verde e até doces de gergelim. Havia uma cultura alimentar urbana dinâmica, que antecedeu em séculos as experiências europeias semelhantes.

Índia: diversidade, especiarias e tradições milenares

Na mesma época da Idade Média europeia, a Índia vivia sob o domínio de vários reinos, incluindo os Impérios Gupta e, posteriormente, os Sultanatos e o Império Mughal. A culinária indiana medieval refletia essa complexidade política e cultural, com uma vasta utilização de especiarias, como açafrão, cardamomo, cominho, gengibre e pimenta, que conferiam aromas intensos e propriedades medicinais aos alimentos.

Na Índia medieval, a alimentação estava profundamente associada à religiosidade, às castas e às especificidades regionais, resultando em uma gastronomia altamente diversificada e carregada de simbolismo. Pratos à base de arroz, lentilhas (dal), verduras, iogurte e pães como o naan eram amplamente consumidos, coexistindo com elaboradas preparações de carne nas regiões sob influência muçulmana (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

A tradição ayurvédica orientava a dieta para manter o equilíbrio dos doshas (humores corporais), indicando alimentos e métodos de cocção específicos para a saúde do indivíduo. O uso do fogo e do carvão para grelhar carnes, o cozimento lento em caldos aromáticos e a fermentação natural de pães eram técnicas bastante empregadas.

Japão: simplicidade, harmonia e respeito à sazonalidade

Durante o período Heian (794–1185) e Kamakura (1185–1333), no Japão medieval, a culinária se consolidava influenciada pelo budismo e pelos costumes imperiais. A alimentação valorizava a simplicidade, a harmonia visual e o respeito às estações do ano.

No Japão medieval, a cozinha estava fortemente associada a princípios estéticos e simbólicos, nos quais o preparo e a apresentação dos alimentos expressavam equilíbrio, simplicidade e reverência à natureza. O arroz constituía a base da alimentação, acompanhado de peixes, algas, soja, vegetais em conserva e sopas leves. As técnicas de preparo privilegiavam o cozimento a vapor e a fervura suave, com uso reduzido de gordura e temperos delicados, como os derivados da soja, entre eles o missô e o shoyu (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

A cerimônia do chá, que se consolidaria nos séculos posteriores, tem raízes já no final da Idade Média japonesa, simbolizando uma espiritualidade gastronômica.

África Subsaariana: agricultura, caça e tradições orais

Enquanto isso, no continente africano, diversas culturas e reinos, como o Império de Gana e o Mali, viviam em sociedades agrícolas, pastorais e de caça. A alimentação era baseada em cereais como sorgo, milheto, e tubérculos, além da caça e pesca em rios e lagos.

Na África medieval, a culinária caracterizava-se pela utilização criativa dos ingredientes locais, pelo emprego de especiarias e pelo papel central dos alimentos nos rituais sociais e religiosos. Os pratos frequentemente combinavam grãos com molhos espessos à base de folhas, amendoim e raízes, enquanto a fermentação natural de cereais era amplamente utilizada na produção de bebidas e pães (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

A transmissão do conhecimento culinário ocorria via tradições orais, com receitas e técnicas passadas entre gerações sem registros escritos formais.

Mesoamérica: agricultura intensiva e a base do milho

Na região que hoje compreende México e América Central, as civilizações maia e asteca desenvolviam práticas agrícolas altamente sofisticadas, centradas no cultivo do milho, feijão, abóbora e pimentas.

Nas sociedades mesoamericanas, contemporâneas ao período medieval europeu, a dieta baseava-se no milho não apenas como alimento, mas como elemento cultural e religioso fundamental. A tortilha, preparada a partir do milho nixtamalizado, constituía o alimento básico, acompanhada de caldos de feijão, molhos picantes e diversos insetos comestíveis. Os rituais alimentares eram complexos e profundamente ligados a crenças cosmológicas, evidenciando a estreita conexão entre alimentação, organização social e espiritualidade (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

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Eu sou graduada e pós graduada na área de gastronomia e compilei todos os anos de estudo em apostilas que estou transformando em um livro “Diário da Gastronomia. De Tudo… Um Pouco.” (Para saber mais acesse a página A Gastrônoma, A Autora, A Terapeuta, A Multiface). Através deste site postarei informações importantes que contribuirá para aumentar o conhecimento dos leitores na área de gastronomia A parte teórica pode ser encontrada na páginaConceitos e Teorias“. Quanto à prática, os leitores podem ir treinando com asReceitaspostadas. Todas as receitas foram previamente testadas.


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REFERÊNCIAS:

A Idade Média deixou marcas profundas na história da alimentação e da gastronomia ocidental. Embora por muito tempo vista como um período de estagnação cultural, hoje se reconhece que muitas práticas alimentares e culinárias que atravessaram os séculos nasceram ou foram consolidadas nesse período.

A valorização dos temperos, por exemplo, foi intensificada na Idade Média e persistiu nas cozinhas nobres por séculos. O uso de especiarias como cravo, noz-moscada, gengibre e canela não visava apenas o sabor, mas também a simbologia social e a conservação dos alimentos. Como observa Paul Freedman, o fascínio pelas especiarias ultrapassava a gastronomia, constituindo-se em uma expressão de riqueza, exotismo e poder (FREEDMAN, 2009).

O modelo de banquetes cerimoniais, com múltiplos pratos servidos em sequência e ambientações decorativas elaboradas, também se consolidou nesse período. Ele influenciou diretamente o que mais tarde seria formalizado como ‘service à la française’, ou serviço à francesa, no século XVII, e que perdurou até a ascensão do serviço à russa no século XIX (FRANCO, 2004; FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

Além disso, a Idade Média legou à modernidade uma visão simbólica dos alimentos, em que comer era também um ato moral, espiritual e social. As distinções entre comidas “quentes” e “frias”, “secas” e “úmidas”, de acordo com a teoria dos quatro humores, influenciaram tanto o cardápio quanto os tratamentos de saúde da época. Segundo Massimo Montanari (2008), “na Idade Média, os alimentos não eram neutros, cada um tinha uma natureza que devia se harmonizar com o corpo e a alma de quem comia”.

A cozinha monástica, com suas práticas de cultivo, fermentação, conservação e preparo coletivo, também exerceu papel fundamental na formação da culinária europeia. Muitas receitas hoje clássicas nasceram nos mosteiros, onde o saber agrícola se unia à devoção e à rotina austera. Como destacam os estudos sobre a alimentação medieval, os mosteiros funcionaram como espaços de experimentação culinária, nos quais tradição, técnica e espiritualidade se articulavam de forma contínua (FLANDRIN; MONTANARI, 2001; MONTANARI, 2008).

Por fim, a alimentação na Idade Média revela muito mais do que o que se comia. Ela ilumina relações sociais, crenças religiosas, desigualdades, saberes técnicos e transformações culturais. Reconhecer sua importância é essencial para entender os caminhos que levaram à gastronomia moderna e à valorização contemporânea do comer como prática cultural.

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A alimentação na Idade Média era profundamente marcada pelas hierarquias sociais. Enquanto nobres desfrutavam de banquetes, carnes variadas e condimentos caros, os camponeses sobreviviam com o essencial: pão, mingaus de cereais, caldos simples, vegetais cultivados em hortas e, esporadicamente, laticínios e ovos. A carne, por vezes de caça, era restrita às classes mais altas, não apenas por questões econômicas, mas também por proibições legais, como as leis suntuárias, que visavam restringir o luxo de certos grupos sociais (MONTANARI, 2008; FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

O pão era o alimento central da dieta medieval. Feito com trigo, centeio, aveia ou cevada, seu tipo e qualidade variavam conforme a classe social. Os mais ricos consumiam pão de farinha branca peneirada, enquanto os mais pobres comiam versões rústicas, muitas vezes misturadas com casca de árvore ou leguminosas para render. Como afirma Jean-Louis Flandrin (2001), “o pão não era apenas alimento, era símbolo de coesão social e religiosa”, uma vez que também era consagrado nas missas como o corpo de Cristo.

As sopas (ou potagens) também ocupavam lugar de destaque na alimentação cotidiana. Eram feitas com o que se dispunha: nabos, repolhos, alho-poró, grãos demolhados e gordura de porco ou manteiga. Nas aldeias, a comida era preparada em caldeirões coletivos, e cada membro da família comia com as mãos ou com pedaços de pão que substituíam pratos (FLANDRIN; MONTANARI, 2001; MONTANARI, 2008).

Além da comida, os hábitos alimentares também eram ditados por normas religiosas. A Igreja Católica impunha inúmeros jejuns ao longo do ano, em que carne e laticínios eram proibidos. Nessas ocasiões, os peixes, sobretudo os salgados ou defumados, ganhavam espaço, assim como os bolos de grãos, frutas secas e leguminosas. Segundo Montanari (2008), “a gastronomia cristã medieval foi moldada por uma tensão constante entre prazer e penitência”.

Por fim, os gestos à mesa, os utensílios e as etiquetas também refletiam o status social. Enquanto os nobres utilizavam facas e colheres ornamentadas, os camponeses comiam com as mãos, partilhando tigelas comuns. Guardanapos inexistiam, e era comum limpar os dedos nos cabelos, nas roupas ou em pedaços de pão. No entanto, a partir do século XIII, surgem os primeiros códigos de conduta à mesa, sobretudo entre os cortesãos, como mostram os manuais de civilidade escritos por autores como Erasmo de Roterdã (FLANDRIN; MONTANARI, 2008).

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REFERÊNCIAS:

“A Idade Média ou Medieval é o período da história que se segue à Idade Antiga. Ela vai do século V (476) depois de Cristo, quando o Império Romano do Ocidente foi derrotado, até o século XV, quando o Império Romano do Oriente terminou.” (LEAL, 1998, p.29)

Na Idade Média, comer era mais do que saciar a fome: era um ato simbólico, social e espiritual. As mesas refletiam a hierarquia, os costumes e até as crenças da época. Enquanto os nobres desfrutavam de banquetes temperados com especiarias vindas de longe, o povo comum vivia de pães escuros, caldos e grãos. Foi um período de contrastes, onde o sabor começava a se misturar com o status, e a cozinha tornava-se uma expressão de poder e identidade.

Culinária e Gastronomia

Na Idade Média, a alimentação era muito mais que sustento: refletia fé, poder e posição social. Do pão simples dos servos aos banquetes da nobreza, cada refeição revelava a hierarquia e os valores de uma sociedade marcada pela religião, pela política e pela vida no feudo.

Hábitos à Mesa

Descubra como os grãos, o pão, o vinho, a cerveja, as carnes de caça e as especiarias moldaram a alimentação medieval. Conheça os rituais à mesa, as técnicas de preparo e os hábitos que marcaram a Europa entre a fé, a tradição e o sabor.

Alimentação Monástica

Dos mosteiros beneditinos à herança árabe na Península Ibérica, a alimentação medieval revela um percurso fascinante: da simplicidade frugal dos monges ao esplendor dos banquetes aristocráticos, onde sabores, símbolos e poder se encontravam à mesa.

Costumes à Mesa

Na Idade Média, a mesa revelava hierarquias: banquetes e especiarias para nobres, pão rústico e sopas simples para camponeses. Entre luxo e privação, a alimentação refletia desigualdades, normas religiosas e os primeiros códigos de conduta à mesa.

Legado e Permanências

Muito além de um período de estagnação, a Idade Média moldou sabores, rituais e símbolos que atravessaram séculos. Das especiarias ao serviço de banquetes, da cozinha monástica às crenças alimentares, esse legado ajudou a construir a base da gastronomia ocidental.

Outras Mesas Medievais

O mundo medieval foi tecido por aromas, rituais e crenças que ultrapassaram fronteiras. Das especiarias árabes às tradições chinesas, dos sabores sagrados da Índia à simplicidade japonesa, das raízes africanas ao milho mesoamericano, cada mesa contou uma história.

Considerações Finais

O mundo medieval foi tecido por aromas, rituais e crenças que ultrapassaram fronteiras. Das especiarias árabes às tradições chinesas, dos sabores sagrados da Índia à simplicidade japonesa, das raízes africanas ao milho mesoamericano, cada mesa contou uma história. Um banquete de culturas que ainda inspira o paladar do presente.

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Os mosteiros tiveram um papel fundamental na preservação e transmissão de práticas alimentares durante a Idade Média. Monges beneditinos, por exemplo, seguiam regras rígidas de alimentação, como se lê na Regra de São Bento, que definia horários, quantidades e tipos de alimentos permitidos. Segundo Montanari (2008), os monges comiam de forma frugal e em silêncio, praticando a temperança como virtude cristã. No entanto, com o tempo, muitos mosteiros tornaram-se centros de produção e refinamento culinário, criando queijos, vinhos, cervejas e conservas, muitos dos quais atravessam os séculos até hoje.

A alimentação monástica contribuiu não apenas para a manutenção da tradição agrícola, mas também para o desenvolvimento de técnicas de conservação e preparo dos alimentos. Em diversos mosteiros da Europa, as hortas medicinais e hortaliças eram cultivadas com conhecimento empírico e observação das estações do ano, garantindo a autossuficiência alimentar e o uso funcional dos ingredientes (FRANCO, 2004).

Outro fator determinante para os sabores medievais foi o intercâmbio cultural promovido pelas Cruzadas (séculos XI a XIII). Ao entrar em contato com as civilizações árabes, os europeus conheceram novos ingredientes como o arroz, o limão, o espinafre, a berinjela e o açúcar de cana. Também se encantaram com métodos de preparo mais refinados, como o uso de xaropes, geleias, pastas de frutas secas, molhos condimentados e sobremesas elaboradas. A herança árabe, particularmente evidente nas regiões da Península Ibérica, contribuiu com combinações agridoces, técnicas de destilação e produção de confeitos (FLANDRIN; MONTANARI, 2001; MONTANARI, 2008).

O domínio muçulmano na Península Ibérica por quase oito séculos (711–1492) gerou um legado culinário profundamente enraizado na gastronomia espanhola e portuguesa. Pratos como arroz com açafrão, doces à base de amêndoas e água de flor de laranjeira, e o uso de especiarias suaves como a canela, revelam a sofisticação herdada da cultura árabe (MONTANARI, 2008). Essa influência se espalhou, posteriormente, por toda a Europa cristã, especialmente por meio das cortes e das ordens religiosas.

Nas cortes europeias, a alimentação tornou-se um símbolo de poder e ostentação. Os banquetes medievais eram espetáculos visuais e sensoriais: animais assados inteiros, pratos coloridos com pigmentos naturais e esculturas de massa ou açúcar faziam parte da mise-en-scène[1]. As refeições eram anunciadas por músicos e acompanhadas de entretenimento, como danças e apresentações teatrais. Como observa Massimo Montanari, na Idade Média “o comer muito era visto como sinal de distinção social, de força e de nobreza”, e os grandes banquetes funcionavam como uma extensão da autoridade régia, onde o poder se manifestava pelo excesso e pela exibição de riqueza (MONTANARI, 2008; FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

Os banquetes medievais eram verdadeiros espetáculos sociais e culturais, cuidadosamente planejados para exibir a riqueza, o poder e a sofisticação da nobreza. Realizados em grandes salões de castelos ou palácios, os convidados eram dispostos em mesas em formato de U ou de ferradura, deixando o centro livre para apresentações musicais, danças, jogos de palavras, encenações cômicas e números de malabarismo. A mesa do senhor e de seus hóspedes mais importantes ocupava o centro ou a extremidade mais nobre do salão, elevada em uma plataforma para destacar seu status.

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Todos os pratos eram dispostos de uma só vez sobre a mesa, formando uma verdadeira composição visual, carnes assadas inteiras, aves recheadas, peixes ornamentados com ervas e frutas, tortas decoradas e jarras de vinho. Era comum que os animais fossem servidos com penas ou cabeças intactas, como no caso do pavão, cujas plumas coloridas eram recolocadas após o cozimento para impressionar os convivas. Entre um serviço e outro, trovadores cantavam poemas, bufões faziam rir e, em ocasiões especiais, eram organizadas encenações mitológicas ou religiosas. A refeição era tanto um momento de alimentação quanto de afirmação de valores sociais, onde cada gesto, cada prato e cada som contribuía para a mise-en-scène do poder aristocrático.


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A alimentação medieval era baseada em grãos, hortaliças, leguminosas e cereais, especialmente trigo, centeio, cevada e aveia. O pão era o alimento central da dieta, tanto em quantidade quanto em simbolismo. Havia desde os pães rústicos e escuros consumidos pelos servos até os pães brancos refinados, reservados à elite (MONTANARI, 2008). O vinho e a cerveja eram consumidos diariamente, sendo o vinho mais comum nas regiões mediterrâneas e a cerveja predominante nos territórios germânicos e do norte europeu (FRANCO, 2004).

Carnes de caça, como javalis, cervos, coelhos, eram reservadas à nobreza, que detinha o direito à caça. Já porcos, cabras, frangos e peixes podiam ser criados ou pescados por camponeses, especialmente em dias sem proibição religiosa. Os dias de jejum, impostos pela Igreja, eram numerosos e nesses períodos o consumo de carne era proibido. Em seu lugar, entravam os peixes, ovos, leite e derivados. As regras religiosas, como o jejum da Quaresma ou as abstinências às sextas-feiras, moldavam profundamente o calendário alimentar da população europeia (MONTANARI, 2008).

As refeições eram, em geral, duas por dia: uma no final da manhã e outra ao anoitecer. A mesa nobre era farta e teatralizada. Utilizava-se uma toalha longa, e cada comensal comia com as mãos, utilizando uma faca individual. As colheres eram coletivas ou inexistentes; os garfos ainda não eram amplamente utilizados. O sal era um bem precioso, empregado não apenas para temperar, mas também como conservante e como símbolo de distinção social (FLANDRIN; MONTANARI, 2001; MONTANARI, 2008).

O uso de especiarias, como canela, cravo, noz moscada, gengibre, pimenta, açafrão e cominho, era frequente nas cozinhas senhoriais. Esses ingredientes, importados do Oriente, não apenas conferiam sabor e cor aos pratos, como também indicavam prestígio e riqueza. Além disso, acreditava-se que as especiarias tinham propriedades medicinais e ajudavam a equilibrar os humores do corpo, segundo a teoria galênica, que dominava a medicina da época (MONTANARI, 2008).

As técnicas de cocção incluíam fervura, assamento em fornos de barro, fritura em banha e cozimento prolongado em caldeirões sobre o fogo. Grande parte dos pratos era servida em consistência de sopas ou pastas. A doçaria utilizava mel como principal adoçante até a chegada mais intensa do açúcar, a partir das Cruzadas (FRANCO, 2004).

Nas feiras e mercados urbanos, começaram a surgir os primeiros ofícios especializados: padeiros, cervejeiros, queijeiros, açougueiros e cozinheiros profissionais. Muitos atuavam a serviço dos castelos ou dos mosteiros, preparando grandes banquetes para festas religiosas, casamentos ou recepções políticas. O ofício de cozinheiro, outrora considerado servil, passou a adquirir certo prestígio social, especialmente quando associado à arte do equilíbrio dos sabores e ao uso criativo das especiarias (FLANDRIN; MONTANARI, 2001; FRANCO, 2004).

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