A chamada Idade dos Metais corresponde a um extenso período que se estende de aproximadamente 7.000 anos atrás até o surgimento da escrita, cerca de 3.300 a.C. Nessa fase, a humanidade desenvolveu a fundição e o uso sistemático de metais como o cobre, o bronze e, posteriormente, o ferro, com impactos profundos na produção de alimentos, nos utensílios domésticos e na organização social.

A metalurgia e a transformação dos utensílios culinários

Com o domínio da metalurgia, especialmente do cobre e depois da liga de bronze (composta de cobre e estanho), o ser humano passou a confeccionar instrumentos mais resistentes e eficientes para o trabalho agrícola, a caça e, notadamente, para a preparação de alimentos. Utensílios metálicos como facas, pás, colheres e caldeirões tornaram-se comuns, substituindo gradualmente aqueles feitos de pedra, cerâmica ou madeira.

Esses novos recipientes de metal, além de mais duráveis, apresentavam melhor condução de calor, o que otimizava os processos de cocção. Alguns caldeirões eram colocados diretamente sobre o fogo, enquanto outros eram posicionados sobre carvões em fossos ou em fornos de cerâmica compactada. Isso permitiu maior controle sobre o preparo dos alimentos e favoreceu o desenvolvimento de técnicas culinárias mais sofisticadas.

A revolução agrícola e a formação das aldeias

O domínio sobre o fogo, os metais e a agricultura favoreceram o surgimento das primeiras aldeias permanentes entre 7000 e 6000 a.C., especialmente em regiões de clima ameno e solo fértil, como os vales fluviais. Nesses locais, a produção agrícola superava o consumo imediato, gerando excedentes que impulsionaram trocas comerciais e a especialização do trabalho.

O Crescente Fértil, região que compreende partes do atual Irã, Iraque, Turquia, Síria, Líbano, Israel, Jordânia e Egito, destacou-se como o berço dessas primeiras aglomerações humanas. O cultivo de cereais como o trigo e a cevada, a domesticação de animais e a fabricação de fornos possibilitaram um novo modo de vida mais sedentário e produtivo, embora a maioria da humanidade ainda permanecesse nômade ou seminômade.

Como aponta Toussaint-Samat (2003), o desenvolvimento do cozimento e da transformação dos alimentos em preparações como papas e caldos marca o surgimento de uma culinária mais elaborada, que ultrapassa o simples consumo de alimentos crus ou apenas tostados.

O sal: um bem alimentar, simbólico e comercial

Entre as grandes descobertas da Idade dos Metais, o sal destaca-se não apenas como um conservante essencial de alimentos, mas também como elemento de valor econômico, cultural e simbólico. A importância do sal para a saúde humana e animal já era reconhecida, e sua obtenção variava conforme a geografia.

Na China, utilizava-se a fervura da água do mar em vasilhas de barro para a produção do sal. No Império Romano, a técnica consistia em evaporar a água salgada em cerâmicas, que eram posteriormente quebradas para se extrair os blocos de sal. Também se exploravam jazidas subterrâneas e minas de sal, algumas das quais se tornaram centros de comércio altamente valorizados. De fato, o sal foi considerado um produto de troca tão importante que influenciou rotas comerciais e até decisões políticas.

Além do uso culinário, o sal estava envolvido em simbolismos ancestrais. Diversas culturas associavam-no à purificação, à fertilidade e à aliança entre os homens. A partilha do sal à mesa era, em muitos povos, um gesto de fraternidade e pacto de confiança.

Segundo Jean-Louis Flandrin (2001), o sal possuía forte valor simbólico nas sociedades históricas, estando associado tanto à hospitalidade quanto à consolidação de vínculos sociais duradouros entre aqueles que o partilhavam.

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REFERÊNCIAS:

FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo (org.). História da alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 2001.

TOUSSAINT-SAMAT, Maguelonne. História natural e moral dos alimentos. São Paulo: Senac, 2003.

O Período Neolítico, também conhecido como Idade da Pedra Polida, compreende aproximadamente o período entre 10.000 a.C. e 3.000 a.C. Durante essa fase, ocorreu uma das transformações mais profundas na história da alimentação: a transição do nomadismo caçador-coletor para a vida sedentária baseada na agricultura e na domesticação de animais. A espécie humana predominante neste período era o ‘Homo sapiens’, já completamente desenvolvida anatomicamente e cognitivamente, tendo substituído os ‘Homo erectus’ e outros hominídeos extintos.

Alimentação dos primeiros sedentários

A dieta das comunidades humanas em transição para o Neolítico era diversificada, composta por vegetais, sementes, raízes, mel, ovos, frutos silvestres, moluscos, além da carne proveniente da caça. Esses alimentos vegetais não eram apenas complementares, mas frequentemente constituíam a base da subsistência, uma vez que o sucesso das caçadas nem sempre era garantido (FERRAZ, 2006). Nesse contexto, as comunidades passaram a observar os ciclos sazonais e a desenvolver estratégias de estocagem e conservação dos alimentos.

Agricultura: O Domínio da Semente

A agricultura surgiu de forma independente em diferentes regiões do globo, como o Crescente Fértil, a bacia do Rio Amarelo na China e partes das Américas, entre aproximadamente 10.000 e 7.000 a.C. Os primeiros agricultores perceberam que sementes plantadas germinavam e geravam novos alimentos, o que levou à domesticação de diversas espécies vegetais.

Na Europa, cultivavam-se trigo, cevada, lentilhas, grão-de-bico, ervilhas e linhaça, enquanto, no Oriente, o arroz tornou-se um alimento essencial. A sedentarização possibilitou a organização em aldeias, a vigilância das plantações e o armazenamento de excedentes alimentares (GOMES, 2004). Nesse sentido, como explica Laraia (2001), a agricultura representou uma verdadeira revolução cultural, ao alterar profundamente a relação entre o ser humano e a natureza.

Descobertas arqueológicas realizadas em cavernas na Itália revelaram o uso de ferramentas de pedra para triturar grãos, constituindo um dos mais antigos indícios conhecidos do preparo de farinha. A análise desses instrumentos identificou resíduos de aveia selvagem, sugerindo que, há pelo menos 30 mil anos, grupos humanos já produziam um tipo rudimentar de farinha (MONTANARI, 2008).

Criação de animais: Carne, leite e trabalho

A fixação territorial exigiu novas formas de garantir o suprimento de proteínas. Segundo Leal (1998), “as presas que eram capturadas passaram a ser mantidas vivas durante certo tempo, para garantirem um abastecimento prolongado de carne fresca”. Esse processo contribuiu para o desenvolvimento gradual da domesticação dos animais.

A caça no período neolítico. Imagem Adriana Tenchini

Foram domesticados inicialmente cabras, ovelhas, porcos, renas e aves, que forneciam carne, leite e ovos. Animais de carga como bois, cavalos e camelos desempenhavam funções ligadas ao transporte e trabalho agrícola. A criação permitiu maior estabilidade alimentar e deu origem a formas mais complexas de organização social.

Apicultura: do mel à medicina

A coleta de mel antecede a agricultura e, no Neolítico, já se observam formas rudimentares de manejo de colmeias. Representações rupestres encontradas na Espanha, datadas de cerca de 10 mil anos, mostram seres humanos interagindo com colmeias, indicando a importância do mel desde períodos muito antigos (FERRAZ, 2006). Evidências arqueológicas, como jarros cerâmicos com vestígios de cera de abelha encontrados no Norte da África, sugerem práticas de manejo de colmeias há cerca de 8.500 anos.

O mel era valorizado não apenas como adoçante, mas também por suas propriedades medicinais e conservantes. No Egito Antigo, era utilizado como ingrediente culinário, cosmético e farmacológico. Na Mesopotâmia, atribuía-se ao mel o poder de curar e até de prolongar a vida, sendo considerado um alimento dotado de propriedades mágicas (MONTANARI, 2008).

Cerâmica: A arte de cozinhar e conservar

A cerâmica neolítica representou uma inovação decisiva para a gastronomia, pois objetos de argila moldados e cozidos possibilitaram o armazenamento e a cocção de alimentos. A resistência térmica desses recipientes permitiu o preparo de caldos, sopas, papas e mingaus, ampliando a diversidade alimentar em relação às técnicas baseadas apenas em assados ou defumados (MONTANARI, 2008).

Fragmentos de cerâmica com mais de 19.000 anos já foram encontrados na China, embora o uso mais generalizado tenha se dado no Neolítico. A durabilidade e abundância desses materiais os tornaram valiosos registros arqueológicos.

Bebidas fermentadas: Cerveja, vinho e cultura

As primeiras bebidas alcoólicas provavelmente surgiram da fermentação acidental de frutas ou grãos armazenados em recipientes cerâmicos. A cerveja e o vinho neolíticos eram densos e pouco filtrados, com sabor bastante distinto das versões atuais. A chamada “cerveja-pão” foi registrada entre os sumérios, que observaram que a massa fermentada produzia um líquido nutritivo (MONTANARI, 2008).

Na Mesopotâmia, a cerveja era amplamente consumida por diferentes grupos sociais e desempenhava papel central na alimentação cotidiana. Acreditava-se que seu consumo era mais seguro do que o da água e contribuía para a prevenção de enfermidades, razão pela qual essa prática se manteve por longos períodos históricos, reforçando a importância social e alimentar das bebidas fermentadas (FERRAZ, 2006)

Considerações Finais

O Neolítico representou uma verdadeira revolução alimentar. A transição para a agricultura, a domesticação de animais, o uso da cerâmica e o surgimento das bebidas fermentadas estabeleceram as bases das futuras civilizações. Com o domínio do fogo, da fermentação e do armazenamento, a comida deixou de ser apenas um meio de sobrevivência e passou a ocupar o centro da cultura humana.

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Simbologia dos Alimentos nas Culturas e Religiões

Ao longo da história, os alimentos transcenderam sua função biológica de nutrir e passaram a ocupar papéis simbólicos, religiosos e identitários nas mais diversas culturas. Comer é um ato carregado de significados, e muitos ingredientes cotidianos tornaram-se marcadores de identidade, ritos de passagem, expressões de fé e ferramentas de comunicação espiritual. Como escreveu Claude Lévi-Strauss, “os alimentos são bons para comer, mas também são bons para pensar” (apud FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

O Sal: pureza, pacto e proteção

Poucos elementos têm tamanha carga simbólica quanto o sal. Essencial para a sobrevivência humana, seu poder de conservar alimentos e seu caráter incorruptível o tornaram símbolo de pureza, permanência e pacto em várias culturas.

No Japão, o sal é amplamente utilizado em rituais de purificação. Após a saída de uma visita indesejada, polvilha-se sal na soleira da porta; em palcos de teatro kabuki, espalha-se sal antes das apresentações para afastar os maus espíritos; e após funerais, pessoas jogam sal sobre si mesmas para evitar que espíritos dos mortos as acompanhem até em casa (TOUSSAINT-SAMAT, 2003).

Na tradição judaica, o sal é parte da aliança entre Deus e seu povo. O Livro do Levítico prescreve: Conforme o Livro do Levítico: “Toda oferta com sal será temperada com o sal da aliança do teu Deus” (Lv 2,13). Entre hebreus, árabes e gregos, comer sal com alguém simbolizava amizade, hospitalidade e confiança mútua. Na cultura do Oriente Médio, partilhar sal selava acordos e criava vínculos indissolúveis.

O sal também aparece como elemento protetor em diversas crenças: nos países nórdicos, é colocado ao lado dos berços para proteger os bebês; no Marrocos, nos cantos escuros das casas para afastar maus espíritos; no Havaí, polvilha-se sal sobre o corpo após enterros (FLANDRIN; MONTANARI, 2001). Para os gregos antigos, Homero conferiu caráter sagrado ao sal ao narrar que Nereu, rei do mar, o ofereceu como presente de casamento a Peleu.

Na Umbanda Sagrada, conforme ensina Rubens Saraceni (2010), o sal é reconhecido como um dos elementos mais eficazes para o reequilíbrio vibracional e a quebra de cargas negativas. Seu uso é comum em rituais de limpeza espiritual, banhos de descarrego, defumações e firmezas. O sal grosso, especialmente, age como um condutor de energias densas para o plano etéreo, desagregando miasmas, invejas, larvas astrais e pensamentos negativos. Ele é utilizado em conjunto com ervas, águas e elementos naturais, compondo trabalhos de proteção e fortalecimento da aura.

Para Saraceni, o sal carrega o poder da vibração cristalina da terra e, quando usado com consciência ritualística, atua como “um elemento mágico e sagrado, capaz de purificar o campo energético humano e impedir a aproximação de energias desequilibradas” (SARACENI, 2010). Ao ser colocado em ambientes, em círculos ou sobre o corpo, ele não apenas protege: sela pactos de luz com as forças da natureza.

A abrangência desses significados revela a universalidade do sal como símbolo. Toussaint-Samat (2003) sintetiza: “Entre os alimentos simbólicos, nenhum é mais carregado de significados do que o sal: ele purifica, preserva e une”.

O Arroz: fertilidade, fartura e gratidão

O arroz, alimento essencial em boa parte da Ásia, está profundamente ligado à fertilidade, prosperidade e à espiritualidade. Na China, é tradição colocar uma tigela de arroz nos túmulos dos antepassados no Ano Novo, como oferenda de agradecimento e pedido de proteção. Nos casamentos, o costume de jogar arroz sobre os noivos – prática que se espalhou também pelo Ocidente – simboliza fertilidade e abundância (FLANDRIN; MONTANARI, 2001).

No Japão, o sekihan, arroz glutinoso cozido com feijão azuki, é tradicionalmente consumido em aniversários, festivais e outras ocasiões solenes, sendo associado à boa sorte e à celebração da vida. Em períodos históricos, esse preparo era servido em datas específicas do calendário, como forma de atrair proteção espiritual e energias favoráveis. O arroz ocupa lugar central na cultura japonesa, sendo considerado um alimento sagrado, vinculado às divindades da colheita (kami), razão pela qual o desperdício é socialmente condenado e compreendido como um ato de desrespeito simbólico. Além disso, práticas rituais associavam o arroz à purificação dos ambientes domésticos e ao afastamento de influências espirituais negativas, reforçando seu papel como símbolo de harmonia, prosperidade e sacralidade na tradição japonesa (FUNDAÇÃO JAPÃO, 2004; BENEDICT, 2011).

O simbolismo do arroz não se limita ao sagrado, mas permeia a moral, os costumes e a identidade: “Os alimentos como o arroz não apenas nutrem, mas reafirmam o pertencimento a uma cultura e a um conjunto de crenças e valores” (FLANDRIN; MONTANARI, 2001, p. 72).

Alimentos sagrados e identitários por região

Diversos ingredientes centrais em suas respectivas culturas foram elevados à condição de símbolos religiosos, míticos ou históricos:

  • Trigo: na tradição cristã, o trigo representa a matéria do pão eucarístico, símbolo do corpo de Cristo. Entre os povos árabes e europeus, é também símbolo de abundância e fertilidade.
  • Milho: para os maias, astecas e outros povos ameríndios, o milho é sagrado. O Popol Vuh, livro sagrado maia, relata que os primeiros homens foram criados a partir do milho.
  • Mandioca: base da alimentação indígena brasileira, a mandioca aparece em mitos como o de Mani[1], a criança que morreu e deu origem ao tubérculo – um símbolo de vida e ancestralidade.
  • Batata: cultivada nos Andes pelos incas, era considerada um presente divino. Mais tarde, tornou-se símbolo de resistência alimentar na Europa, como na Irlanda, onde é base do tradicional stew (ensopado).
  • Feijão: depois de substituírem o phaselus medieval, os feijões do Novo Mundo se disseminaram pela Europa, sendo adotados na culinária italiana, francesa e dos Bálcãs.
  • Tomate, pimentão, amendoim, baunilha e chocolate: produtos originários das Américas e introduzidos na Europa após as Grandes Navegações, carregam consigo novas simbologias, usos e sabores que transformaram a cultura alimentar ocidental.

Alimentação e religião: limites e escolhas

A alimentação também serviu para marcar fronteiras religiosas. Uma antiga lenda do Império Bizantino ilustra isso. No ano 986, o príncipe Vladimir I de Kiev, buscando uma religião oficial para seu povo, convocou representantes das grandes religiões. A dieta proibitiva do islamismo e do judaísmo (que vetava carne de porco e bebidas alcoólicas) e os jejuns rigorosos dos cristãos romanos levaram Vladimir a escolher o cristianismo ortodoxo, cujos costumes alimentares pareciam mais acessíveis (TOUSSAINT-SAMAT, 2003). Esse episódio fictício revela como os códigos alimentares moldavam, inclusive, decisões políticas.

Alimentos e oferendas na Umbanda Sagrada

Nas religiões de matriz afro-brasileira, como a Umbanda Sagrada, os alimentos possuem função ritualística, simbólica e energética. Cada alimento é escolhido não apenas por suas propriedades físicas, mas por sua vibração espiritual e ligação com as forças da natureza e os orixás, guias e entidades.

Segundo Rubens Saraceni, a Umbanda trabalha com o princípio das vibrações alimentares e do axioma vibracional dos elementos da natureza. Os alimentos utilizados nas oferendas, ou firmezas, como também são chamadas, servem como veículo de energias que nutrem e fortalecem a conexão com planos espirituais. Entre os elementos mais comuns estão:

  • Milho branco e amarelo: ligado à fartura e ao orixá Oxóssi, representa a colheita e a prosperidade.
  • Coco: associado à pureza e à proteção, usado em oferendas a Iemanjá e Oxalá.
  • Mel: símbolo de doçura, conciliação e cura. Presente nas oferendas a entidades como Oxum.
  • Azeite de dendê: traz a força do fogo e está associado a Exu e Ogum.
  • Feijão preto ou fradinho: representa o alimento básico e é ligado à ancestralidade e ao trabalho espiritual de base.
  • Farofa, frutas, caldos e bebidas: cada combinação varia conforme a entidade e o propósito ritual.

Esses alimentos são organizados em pontos específicos da natureza, mata, mar, encruzilhada, cachoeira, pedra, onde sua vibração é potencializada. “Os alimentos, quando utilizados com consciência ritualística, não são apenas oferendas: são veículos de cura, equilíbrio e transformação” (SARACENI, 2010). Ao contrário de outras tradições em que o alimento é consumido, na Umbanda ele é ofertado como energia espiritual doada, devolvida à natureza em um ciclo de troca e comunhão.

Novos produtos, novos sentidos

Com a expansão marítima dos séculos XV e XVI, o simbolismo dos alimentos ganhou novos contornos. As grandes navegações não apenas conectaram continentes, mas também promoveram trocas culinárias que redefiniram hábitos, sabores e significados em diversas culturas. Produtos originários das Américas, antes desconhecidos pelos europeus, passaram a circular amplamente e, em muitos casos, foram ressignificados.

A batata, cultivada pelos incas nas regiões andinas onde o milho não se desenvolvia bem, foi levada à Europa por volta de 1530. Inicialmente usada como alimento para porcos, só no século XVII começou a ser valorizada como alimento humano. Com o tempo, tornou-se base alimentar em diversos países, como a Irlanda, onde integra o tradicional stew[2]. A batata simboliza, ainda hoje, resiliência alimentar e adaptação.

O milho, levado para a Europa por Cristóvão Colombo em 1493, foi plantado inicialmente de forma marginal, muitas vezes como forma de escapar da tributação dos senhores feudais. Ao ser incorporado à dieta humana, deu origem a preparações como a polenta no norte da Itália – alimento de resistência e símbolo de simplicidade. No entanto, a deficiência nutricional do milho quando consumido isoladamente foi responsável por epidemias de pelagra em algumas regiões europeias.

O tomate, o feijão do Novo Mundo, o pimentão e o amendoim também conquistaram espaço nas cozinhas europeias. O pimentão, por exemplo, ganhou protagonismo na culinária da Hungria, onde deu origem à páprica. O peru, chamado na época de “galinha da Índia”, passou a integrar os grandes banquetes, substituindo aves nobres como pavões e cisnes medievais. E o chocolate, inicialmente consumido com pimenta pelos povos mesoamericanos, foi adoçado na Europa e lentamente transformado em um dos alimentos mais valorizados do mundo moderno. A baunilha, usada pelos astecas para perfumar o chocolate, também passou a ser cultivada globalmente após o desenvolvimento da polinização artificial.

Esses produtos, uma vez incorporados a novas culturas, passaram a carregar novos sentidos simbólicos, afetivos e sociais, ilustrando como a alimentação é, antes de tudo, um campo dinâmico de trocas culturais e reinvenções.

Conclusão

A simbologia dos alimentos revela que, mais do que nutrir o corpo, a comida alimenta vínculos, crenças e memórias. Desde o sal que sela alianças, o arroz que traz fertilidade, até o milho que molda a origem dos povos ameríndios e os elementos ofertados aos orixás na Umbanda Sagrada, os alimentos expressam relações profundas com o sagrado, com o outro e com a natureza.

Cada cultura, ao atribuir significados a seus ingredientes essenciais, registra uma forma singular de ver e interpretar o mundo. Esses significados não são estáticos: atravessam gerações, cruzam fronteiras, transformam-se e, muitas vezes, permanecem vivos nos rituais, nas festas, nas tradições orais e nos gestos cotidianos à mesa.

Como bem destacou Rubens Saraceni, os alimentos podem ser instrumentos de cura e conexão espiritual; como lembrou Lévi-Strauss, eles também são “bons para pensar”. Reconhecer a carga simbólica daquilo que comemos é, portanto, um caminho para compreender melhor as culturas, os povos e a nós mesmos.


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CAPA: Adriana Tenchini


REFERÊNCIAS:

Período Paleolítico – de 3 milhões até 10 mil anos atrás.

Alimentos e utensílios

Durante o Paleolítico, o período mais extenso da Pré-História, os hominídeos alimentavam-se de frutas, folhas, grãos e raízes, que forneciam os nutrientes essenciais à sua sobrevivência. Não possuíam instrumentos elaborados: utilizavam as próprias mãos para colher os alimentos das árvores e extrair caracóis de conchas grandes. Há evidências arqueológicas do consumo de moluscos há pelo menos 150 mil anos, o que indica que usavam espinhos ou fragmentos de pedra como “brocas” para extraí-los.

Imagem Adriana Tenchini.

Inicialmente coletores, esses grupos também se aproveitavam de carniça deixada por grandes predadores, e ocasionalmente caçavam pequenos animais. À medida que suas ferramentas de pedra se aperfeiçoavam, conseguiram capturar animais maiores, incorporando mais carne à dieta. Ainda assim, mantinham práticas de coleta e pesca. Segundo Montanari (2008), o ato de comer, mesmo nos tempos mais primitivos, já refletia escolhas culturais, com os alimentos disponíveis sendo selecionados com base em conhecimento empírico e percepção de valor.

Com o objetivo de garantir sua subsistência, os seres humanos passaram a formar grupos de caça de aproximadamente 30 pessoas. Essa organização aumentava suas chances de sobrevivência e exigia constante deslocamento em busca de recursos, caracterizando o nomadismo típico dessa fase.

A introdução da carne à dieta trouxe consigo a necessidade de novos elementos nutricionais, como o sal. Quando a caça escasseava, a deficiência de sal obrigava esses grupos a buscar novas fontes desse mineral, chegando a recorrer ao canibalismo em algumas culturas. Observando os animais, os humanos notaram que muitos lambiam pedras de ardósia e, assim, passaram a extrair sal da terra e, posteriormente, da água do mar. De acordo com Montanari (2008), o sal assumiu papel central na história da alimentação ao permitir a conservação dos alimentos e ao atuar como elemento fundamental na construção dos sistemas culinários das sociedades humanas.

A divisão de tarefas entre membros do grupo foi outro fator importante para o sucesso da espécie. Crianças, mulheres e idosos participavam ativamente das tarefas de coleta e preparação do alimento, enquanto os homens se especializavam na caça. Como aponta Harris (1990), essas estruturas iniciais de organização social estavam diretamente relacionadas à adaptação ao meio e à sobrevivência dos grupos humanos.

SAIBA MAIS: Simbologia dos Alimentos nas Culturas e Religiões.

Uso do fogo

O homem pré-histórico já conhecia o fogo desde os primórdios de sua existência, mas só conseguiu dominá-lo por volta de 300 mil anos atrás. Os primeiros contatos com o fogo ocorriam ao se depararem com árvores em chamas após tempestades ou com focos provocados por atividades vulcânicas. Quando conseguiam capturar esse fogo, o mantinham aceso indefinidamente, mas, se fosse extinto, ainda não sabiam como produzi-lo novamente.

As primeiras fogueiras eram mantidas em áreas protegidas para conservar o calor e reduzir os efeitos do vento, exigindo vigilância constante. Com o tempo, o uso de pedras aquecidas próximas ao fogo permitiu maior retenção térmica, economia de combustível e menor necessidade de manutenção contínua (Wrangham, 2010).

A partir da descoberta e domínio do fogo, a pesca e a caça deixaram de ser consumidas cruas e passaram a ser assadas sobre brasas ou chamas, o que revolucionou os hábitos alimentares. “O fogo foi o primeiro tempero descoberto pelo homem, já que o sabor de uma comida depende da temperatura em que ela é consumida” (LEAL, 1998). Com isso, surgiu a culinária primitiva: alimentos passaram a ser cozidos, tornando-se mais duráveis, nutritivos e fáceis de mastigar.

O uso do fogo também contribuiu para o desenvolvimento fisiológico humano. Segundo Wrangham (2010), cozinhar os alimentos liberava mais energia, permitindo que o cérebro se desenvolvesse de forma mais eficiente – um divisor de águas na evolução da espécie.

Regina Franco (2004) destaca ainda que mesmo antes de dominar o fogo, os homens primitivos provavelmente cozinhavam alimentos em fontes termais naturais:

“Os mais antigos fósseis humanos foram encontrados ao longo da Grande Falha Tectônica da África Oriental, onde abundam fontes termais e gêiseres. Paleontólogos acham provável que o proto-homem […] tenha cozido caça em tais fontes de calor, numa tentativa bem-sucedida de devolver-lhe temperatura e sabor de presa recém-abatida.” (FRANCO, 2004)

Dessa forma, o calor, seja natural ou produzido, já era compreendido como uma ferramenta para transformar os alimentos muito antes do domínio completo do fogo.

Ferramentas, caçadas e evolução cognitiva

Durante o Paleolítico, a humanidade desenvolveu formas mais eficientes de obtenção e manipulação de alimentos. As ferramentas, inicialmente rudimentares, eram feitas de pedra lascada. Com o tempo, surgiram instrumentos mais elaborados, como machados de mão, raspadores e pontas cortantes. Essa tecnologia, conhecida como acheuliana[1], foi fundamental para ampliar a capacidade de caça e o aproveitamento de recursos da natureza.

Segundo Leal (1998), a invenção dessas ferramentas possibilitou não apenas caçar com mais eficiência, mas também processar melhor os alimentos, quebrar ossos para extrair o tutano e raspar peles para vestuário. A introdução de técnicas de corte e raspagem também contribuiu para um consumo mais diversificado e nutritivo, fundamental para o desenvolvimento físico e cerebral do ser humano.

Com o uso de armadilhas, lanças e a organização em grupos para caçadas coletivas, o homem pré-histórico passou a se destacar de outros predadores. A necessidade de cooperação estimulou o desenvolvimento de formas rudimentares de comunicação, fundamentais para a organização social e a sobrevivência do grupo (Harris, 1990).

Alimentação, rituais e espiritualidade

Embora a alimentação fosse uma necessidade vital, há indícios de que ela também envolvia aspectos simbólicos desde os tempos mais remotos. Escavações arqueológicas revelaram vestígios de sepultamentos acompanhados de alimentos e objetos, indicando a presença de práticas ritualísticas relacionadas à morte e ao sagrado.

Como destaca Montanari (2008), a comida sempre teve uma dimensão cultural e simbólica: mesmo nas sociedades antigas, o modo de preparar e consumir os alimentos refletia valores e crenças. O uso do fogo transformava o alimento cru em cozido, marcando a passagem da natureza para a cultura e expressando o controle humano sobre os processos naturais.

Práticas como o canibalismo ritual, eventualmente presentes em comunidades muito antigas, podem ser compreendidas a partir de fatores materiais, como a escassez alimentar e as condições ecológicas, ainda que envoltas em justificativas míticas ou religiosas elaboradas culturalmente (Harris, 1990).

Divisão de papéis e transmissão do saber alimentar

Na divisão das tarefas, os homens costumavam se dedicar à caça e à pesca, enquanto as mulheres e crianças se responsabilizavam pela coleta de frutas, raízes e sementes. Essa organização permitia o aproveitamento dos diferentes recursos disponíveis e favorecia a transmissão oral do conhecimento sobre as propriedades alimentares e medicinais das plantas.

Segundo Montanari (2008), os saberes alimentares são transmitidos de geração em geração por meio da experiência prática e da convivência com o meio, fazendo com que, desde os tempos mais remotos, a alimentação esteja inserida em uma rede de significados sociais, culturais e simbólicos que acompanha o ser humano ao longo de sua trajetória histórica.


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REFERÊNCIAS:

FRANCO, Ariovaldo. De caçador a gourmet: uma história da gastronomia. São Paulo: Senac, 2004.

HARRIS, Marvin. Bom para comer: enigmas da alimentação e cultura. São Paulo: Marco Zero, 1990.

LEAL, Maria Leonor. A história da alimentação. 2. ed. São Paulo: Ática, 1998.

MONTANARI, Massimo. Comida como cultura. São Paulo: Senac São Paulo, 2008.

WRANGHAM, Richard. Pegando fogo: como o cozimento nos tornou humanos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

A História da

Gastronomia Mineira

Diz-se com efeito, que a cultura de um povo se conhece pela sua culinária. E se tal assertiva mostra-se no geral verdadeira, o é com mais razão quando se fala dos mineiros, de seu trivial culinário, do jeito de picar e afogar os ingredientes disponíveis, de seus “sonhos aquecidos pelo fogão de lenda e goles de café ralo”.

Se por um lado, as mineirices e mineiridades da culinária “internacional” de Minas se forjaram nos caminhos e descaminhos da sua história, por outro lado, a história de Minas e o caráter de seu povo foram formados, em grande parte, na luta pela alimentação e sobrevivência. A carência de recursos alimentares do período colonial foi a condição não só para o surgimento do caráter cauteloso, econômico do mineiro, mas também para o desenvolvimento de sua culinária criativa e inovadora. (SENAC, 1998, p. 10)

Por ter nascido em Minas Gerais, não posso deixar de relatar um pouco da nossa riquíssima história gastronômica. “Em cada região do Estado, delícias de todo tipo são especialmente preparadas para as mais diferentes ocasiões, afinal, o mineiro é hospitaleiro por natureza e não perde a oportunidade de compartilhar mesas preciosas e fartas[1]”. A gastronomia mineira é considerada uma das mais ricas, saborosas e apreciadas de todo o Brasil. A nossa culinária está enraizada na cultura, nas tradições e nos costumes mineiros, e é isso que a torna tão importante.

Para entender melhor a variedade da culinária mineira se faz necessário recorrer às origens do estado em dois momentos distintos da história: a mineração, que teve o seu ápice no século XVII; e o surgimento das fazendas (ruralização) que engloba o período do final do século XVIII até o início do século XX. O bandeirante Fernão Dias Paes, em 1674, desbravou os sertões das Gerais abrindo caminho para a mineração. O ouro e o diamante atraíram milhares de pessoas de todos os lugares do Brasil interessados em se enriquecer com o garimpo.

Surgiram as primeiras vilas e cidades de Minas: Mariana, Ouro Preto, Diamantina, São João Del Rei, Tiradentes e outras. Os portugueses para garantir as posses das minas enviaram representantes da coroa para vigiar a exploração. Chegam à região: juízes, comerciantes, profissionais liberais, funcionários civis, artistas e uma quantidade enorme de escravos usados como mão-de-obra. O tráfego negreiro se desviou para as novas terras colonizadas. No início os índios eram resistentes a colonização, porém, mais tarde se adaptaram e contribuíram para a formação dos costumes mineiros. A mistura da culinária indígena e africana fez surgir o gosto pela mandioca, milho, inhame e o uso de utensílios como panelas de barro, balaios e potes.

A “corrida ao ouro” transformou-se em um grande problema para a colônia, pois faltavam pessoas para trabalhar em diversas profissões nas demais cidades do reino. Além disso, as vilas e cidades litorâneas estavam sofrendo com a escassez de alimentos que eram enviados em grande parte para as minas, gerando um aumento nos preços. Segundo Rocha (1998), “a situação ficou tão complicada que a Câmara Municipal da Vila de São Paulo deliberou, em 19 de janeiro de 1705, que nenhuma pessoa vendesse qualquer artigo de subsistência para fora da terra. […] E em janeiro de 1722 incluiu o gado nesta proibição”. Com a superlotação dos povoados mineiros e a dificuldade em adquirir insumos de outras regiões, ocorreu a falta de alimentos.

Com os problemas, os mineiros aprenderam a superar os limites na busca por saciar a fome e surgiram os pequenos pomares e hortas no fundo do quintal onde eram cultivados couve, feijão, milho, taioba, mostarda, mandioca, inhame, abóbora, banana, laranja, goiaba, jabuticaba e outras frutas. Os mineiros criavam pequenos animais para seu sustento, como porco e galinha, do qual utilizavam, além das carnes, os ovos. Até hoje as carnes de porco e de frango fazem parte da culinária mineira. Para escapar da fome, tudo na cozinha mineira era aproveitado, até as sobras que se transformavam em deliciosas receitas. Com as sobras de carne, feijão, verduras e legumes eram preparados as mais variadas farofas, sopas e bolinhos. Tem ainda, o mexido, que é uma mistura de tudo o que sobrou na refeição anterior. O mexido ainda hoje é muito consumido no interior de Minas Gerais e em Belo Horizonte existem botecos e restaurantes que servem o prato durante a madrugada. No período da mineração, o sal era um produto escasso e caro, sendo pouco consumido. Para substituí-lo os mineiros utilizavam outros temperos como urucum, cúrcuma, salsinha, cebolinha, raízes e outros brotos nativos.

Durante alguns séculos a colónia manteve-se fechada a estrangeiros, porém, para evitar o êxodo dos mineradores, a Coroa Portuguesa resolveu melhorar o abastecimento de suprimentos, abrindo um caminho direto com o Rio de Janeiro, além dos já existentes para Bahia e São Paulo. Pelo rio São Francisco chegavam escravos africanos e gado vindos do Nordeste e manufaturados da Europa. Minas ainda importava do Rio de Janeiro e de São Paulo diversos insumos, tais como: legumes, carne seca, doces, frutas, fumo, dentre outros. Ao longo do século XVIII, a Capitania das Minas Gerais moldava a sua identidade com elementos culturais provenientes de índios, escravos africanos, nordestinos, portugueses e, aos poucos, os vilarejos foram nascendo, crescendo e os mineiros “incorporando outros valores, saberes e fazeres, que influenciavam os costumes, a religião, a política, a moradia, as artes, os hábitos e as condições alimentares” (GASTRONOMIA MINEIRA[1])

A gastronomia mineira também sofreu influência dos tropeiros, que ao longo de séculos realizaram o transporte de mercadorias por entre trilhas e caminhos entrecortadas nas montanhas de Minas. Este fluxo ocorreu desde o século XVII até o século XX. As viagens eram longas e para poderem se alimentar carregavam produtos secos e duráveis. As carnes eram previamente desidratadas com sal ou cozidas e guardadas em vasilhames com banha de porco para conservarem. A farinha de mandioca era um hábito dos tropeiros que era misturada com feijão e carne seca, surgindo daí o famoso “feijão tropeiro”. Alimentavam-se também de caças, sementes e brotos; e para amenizar o cansado do dia e o frio da noite, bebiam cachaça. Atualmente, a cachaça é fabricada em fazendas de todo o estado, sendo servida como aperitivo ou nos bares e tornou-se um produto de exportação.

Com o declínio do ouro, surgiram as plantações de café. A alimentação na fazenda é rica e variada. Da horta saem diariamente os legumes e verduras frescas que são cortadas na hora de refogar. Os pratos são suculentos e, em geral, acompanhados de molhos e caldos. Destacam-se o frango com quiabo, o angu, a couve refogada, a canjiquinha, as carnes ensopadas como costelinha e rabada, e que podem ser acompanhados de brotos nativos, tais como o ora-pro-nóbis, taioba e agrião. Com a expansão das fazendas mineiras no final do século XIX, o leite e seus derivados, como o queijo e pão de queijo, entraram em definitivo no nosso cardápio. Com leite em abundância, ovos e queijos variados, ampliaram-se os doces e as quitandas.

Café no fogão à lenha. Delícias de Minas. Imagem de Aline por Pixabay

O queijo de minas transformou-se em símbolo máximo de mineiridade e atualmente é reconhecido no Brasil e no exterior. No cardápio mineiro ainda tem um item muito importante: o Café. “O bule no fogão a lenha é um forte elemento do cenário da cozinha mineira, onde o café, sempre quentinho, era servido acompanhando as quitandas, no encerramento das refeições, ou na primeira refeição do dia, adoçado com rapadura.[2] ” A todo momento o mineiro está pronto para um cafezinho e o costume, até os dias de hoje, é ter cinco refeições diárias. Almoço, jantar e três cafés (da manhã, da tarde e da noite). Estes cafés são acompanhados de pães, broas, bolos, biscoitinhos, docinhos etc. “O café pode ser apreciado também com um pouco de leite, mas os mineiros costumam bebê-lo sozinho a qualquer hora do dia.” (FONSECA).

“Apesar das raízes da culinária, aquelas plantadas pelos portugueses, negros e índios, terem se fixado nos solos da região mineradora, a culinária típica dos quatro cantos mineiros também é de grande expressividade ainda hoje.” (CAVALIERI). Como dizia Guimarães Rosa: “Minas, são muitas.”

O Sul de Minas, com sua riqueza agrícola e grandes rebanhos de gado leiteiro, é importante produtor de laticínios e doces finos à base de leite. No Norte de Minas, produtor de gado de corte, há o predomínio de receitas com carnes de boi com destaque para a carne de sol. Nas margens do Rio São Francisco é característico o uso de peixes na alimentação. No Triângulo Mineiro, grande produtor de milho, prevalece as receitas de pamonhas, bolos, mingaus, broas e o tradicional angu lavado. Nesta região, mas precisamente em Araxá, reina a tradição doceira com inúmeras compotas de frutas. No Cerrado de Minas o produto mais característico é o pequi utilizado nas receitas de arroz com pequi e licor. A região da Zona da Mata tem as melhores goiabadas e grandes plantações de cana-de-açúcar. O Nordeste Mineiro prevalece o gosto pelos temperos naturais, dentre eles o urucum e o açafrão da terra (cúrcuma), que dão um colorido especial aos pratos.

A região central de Minas Gerais é uma das mais ricas do Brasil em recursos minerais: ouro, ferro, manganês e calcário. A capital do estado localiza-se na região central. Belo Horizonte é a união de um grande centro urbano com a tranquilidade do interior. Como dizem os belorizontinos: BH é uma roça grande. “Diferentemente das demais capitais do país, 95% da população da capital de Minas é de mineiros e um grande percentual nasceu na cidade.” (ASSUMPÇÃO; BARBOSA, 2005, p.14)

Cardápio Mineiro

A tradição mineira é que sejam realizadas cinco refeições diárias:

Café da manhã – café com leite, pão com manteiga, requeijão, broa de milho, bolo, biscoito de polvilho, mingau de fubá e pedacinhos de queijo minas frescal. Nas cidades grandes, onde o tempo para as refeições é bem menor, o café da manhã é bem mais simples: café com leite ou café puro e pão com manteiga.

Almoço – é servido arroz com feijão ou com tutu de feijão, carne, legumes e verduras. Não pode faltar a sobremesa: goiabada com queijo, doce de leite ou doce em compota. As carnes, legumes e verduras variam entre as várias receitas existentes em Minas.

Café da tarde – são as quitandas (bolos, roscas, sequilhos, biscoitos, broas) acompanhados de café e leite.

Jantar – Geralmente é composto do almoço requentado, às vezes com o acréscimo de uma sopa. Para fazer digestão um licor ou uma cachaça.

Ceia – o mineiro tem a tradição de comer antes de dormir. Serve-se de pão-de-queijo feito na hora, bolinho de fubá ou biscoito de polvilho frito, café com leite, leite com canela, chá de hortelã ou chá de erva-cidreira.

Quanto aos pratos típicos, como visto anteriormente, a gastronomia mineira é muito diversificada. A seguir relaciono algumas receitas características da região: Pão de queijo, Broa de milho, Tutu de feijão, Feijão tropeiro, Frango com quiabo, Frango ao molho pardo, Galinha com ora-pro-nóbis, Leitão assado à pururuca, Vaca atolada (caldo de mandioca com costela de boi), Canjiquinha com costelinha de porco, Linguiça frita, Couve refogada, Angu, Bambá de couve, Doce de abóbora (figo, laranja, limão, banana), Doce de leite, Ambrosia, Goiabada, Mingau de fubá, Cachaça, Licor (frutas variadas). Atualmente existem diversos restaurantes mineiros espalhados pelas cidades de todo o país e em algumas cidades pelo mundo, sendo servido em restaurantes à lá carte, rodízios, comidas à quilo etc.

O estado de Minas Gerais possui uma das culinárias mais apreciadas de todo Brasil, trazendo junto à sua formação, muita história, diversas culturas e ingredientes de toda a parte do mundo. Essas diversas culturas que passaram por aqui, construíram o que é hoje a nossa famosa gastronomia. Cada imigrante que chegou ou passou por minas no período da mineração e do surgimento das grandes fazendas trouxe consigo um alimento típico de sua terra de origem e que, com as condições impostas pela época e região teve seu modo de preparo modificado.

Hoje em dia existem vários restaurantes mineiros espalhados pelas cidades de todo o Brasil e em algumas cidades pelo mundo, sendo servido em restaurantes à lá carte, rodízios, comidas à quilo etc. Sendo assim, é importante conhecer e entender um pouco mais desta maravilhosa gastronomia.

Frango com Quiabo

Que tal testar essa deliciosa receita mineira?


[1] GASTRONOMIA MINEIRA. Descubra minas, site do SENAC Minas.

[2] COZINHA MINEIRA. Conheça Minas. Governo de Minas Gerais.

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Eu sou graduada e pós graduada na área de gastronomia e compilei todos os anos de estudo em apostilas que estou transformando em um livro “Diário da Gastronomia. De Tudo… Um Pouco.” (Para saber mais acesse a página A Gastrônoma, A Autora, A Terapeuta, A Multiface). Através deste site postarei informações importantes que contribuirá para aumentar o conhecimento dos leitores na área de gastronomia A parte teórica pode ser encontrada na páginaConceitos e Teorias“. Quanto à prática, os leitores podem ir treinando com asReceitaspostadas. Todas as receitas foram previamente testadas.


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CAPA: Imagem de Luis Gregório por Pixabay


REFERÊNCIAS:

ASSUMPÇÃO, Patrícia; BARBOSA, Clesio. Terra de Minas Culturas & Sabores. Belo Horizonte: Prax Editora, 2005. 150p.

BAZOTE, Sylvio. Comida Mineira. Blog: Histórias. Disponível em: http://historiasylvio.blogspot.com.br/2013/01/cozinha-mineira.html Acessado em: 18/01/2015 às 18:00.

CAVALIERI, Renata de Brito. Culinária Mineira: as raízes históricas da sua diversidade. Disponível em: https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&cad=rja&uact=8&ved=0CFUQFjAF&url=http%3A%2F%2Fwww.nutrociencia.com.br%2Fupload_files%2Farquivos%2Fcozinha_mineira. Acessado em: 18/01/2015 às 19:00.

CHAVES, Guta. Larousse da cozinha brasileira: raízes culturais de nossa terra. São Paulo: Larousse do Brasil, 2007

COZINHA MINEIRA. Conheça Minas. Governo de Minas Gerais. Disponível em: http://www.mg.gov.br/governomg/portal/m/governomg/conheca-minas/5655-cozinha-mineira/5655/5044 Acessado em: 18/01/2015 às 18:50

FONSECA, Renata. A História da Comida Mineira: Os tempos são atravessados e contados através da culinária. Site da UNIUBE – Universidade de Uberaba. Disponível em: http://www.revelacaoonline.uniube.br/cultura03/histcomida.html Acessado em: 18/01/2015 às 18:00.

GASTRONOMIA MINEIRA. Descubra minas, site do SENAC Minas. Disponível em: http://descubraminas.com.br/MinasGerais/Pagina.aspx?cod_pgi=2981 Acessado em: 18/01/2015, às 16:20.

SENAC. DN. Sabores e Cores das Minas Gerais: A culinária mineira no Hotel Senac Grogotó. Arthur Bosisio (Coord.); Maria Stella Libanio Christo; Tião Rocha. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional, 1998. 140 p. il. Edição bilíngue: português/inglês.

A História da

Alimentação no Brasil

Neste imenso país que é o Brasil, temos uma rica culinária regionalizada, quase impossível de ser generalizada em um território marcado por diferenças tão grandes. Um gaúcho acostumado ao seu churrasco provavelmente jamais ouviu falar no pato no tucupi da Amazônia.

A comida de uma região soa exótica para outra região dentro do mesmo País. Muitas vezes, as frutas nativas são desconhecidas dos próprios brasileiros. Um bebê urbano pode tomar suco de kiwi todos os dias e passar a vida sem provar um mingau de tapioca com açaí, sem ver um araçá, um cumbucá, um sapoti, um jenipapo. Fonte: http://www.mre.gov.br

A culinária brasileira é resultante de uma mistura de tradições, ingredientes e alimentos que foram introduzidos não somente pela população indígena nativa, mas por todas as correntes de imigração que ocorreram ao longo da história deste país. O descobrimento do Brasil ocorreu em função da gastronomia, já que os portugueses estavam à procura de uma nova rota para Índias em busca de especiarias.

A gastronomia do Brasil nasceu da mistura de hábitos dos índios nativos, dos colonizadores portugueses e dos negros africanos que foram trazidos para trabalhar nas lavouras. E mais tarde, pelos imigrantes diversos que chegaram ao país, tais como: italianos, alemães, japoneses, poloneses, libaneses, entre outros. Devido à grande diversidade de vegetação, clima, relevo, tipo de solo e de povos que habitam cada região brasileira, é muito difícil identificar um prato tipicamente nacional. O Brasil tem uma enorme diversidade e uma riqueza gastronômica imensurável.

Feijoada, um dos milhares de pratos típicos brasileiros. Imagem de Gilmar Koizumi por Pixabay.

Nativos

Muitas das técnicas de preparo e ingredientes são de origem indígena, tendo sofrido adaptações por parte dos escravos e dos portugueses. Os índios nativos contribuíram com mandioca, também chamada de aipim, castelinha, mandioca-doce, maniva, maniveira, macaxeira, candinga, macamba, tapioca, uaipi, xagala, mandioca-mansa, pau-farinha, pão-da-américa, pão-de-pobre, xagala, entre outros e seus vários usos. Além da mandioca, os índios também se alimentavam de milho, cará, batata-doce e diversos tipos de pimentas. Era comum o consumo de peixes e caça – tatus, codornas, perdizes, jacarés, gambás, macacos, tatus e antas. As frutas mais consumidas eram maracujá, pitanga, jabuticaba, jenipapo, açaí, cupuaçu, murici, cajá, pitomba, mangaba e caju. Como processo de preparo herdado dos indígenas temos o moquém, que consiste em secar a carne no fogo para ser consumida mais tarde.

Portugueses

Os portugueses contribuíram com o gosto pelo açúcar e o consumo da carne de porco e de sal, além da farinha de trigo. Eles foram os primeiros responsáveis por trocas alimentares e formação de novos hábitos. Eles traziam e levavam mercadorias de todos os lugares através das navegações. Vários produtos se enraizaram tanto no país que muitos pensam que são “nativos” do Brasil, tais como: Manga, jaca, quiabo, banana, coco, café e cana-de-açúcar. Os portugueses contribuíram também com técnicas de preparo dos alimentos, como por exemplo, as frituras.

Africanos

A influência africana na alimentação do brasileiro tem dois aspectos importantes. O primeiro é o modo de preparar e temperar os alimentos. A cozinha africana privilegia os assados em detrimento das frituras. O caldo é um item importante da culinária africana e provém do alimento assado ou preparado com água e sal. É utilizado na mistura com farinha obtida de diversos elementos. O modo africano de cozinhar e temperar incorporou elementos culinários a pratos típicos portugueses e indígenas. O segundo aspecto é a introdução de ingredientes na culinária brasileira. Todas as receitas no Brasil feitas de milho nasceram na senzala, porque o milho, naquele período, era comido apenas por animais e escravos. Os portugueses não davam a mínima importância ao milho, pois faziam relação com o sorgo. Os escravos juntaram ao milho os ingredientes que podiam usar, tais como o açúcar pouco refinado, o açúcar mascavo e a rapadura e criaram o angu, o munguzá e a pamonha. A rapadura, a cachaça, a garapa e o pé-de-moleque difundiram-se no período colonial como artifícios culinários de escravos e brancos pobres para “matar” a fome

Imigrantes

Já entre os séculos XIX e XX, vieram os imigrantes e estes trouxeram algumas novidades ao cardápio brasileiro fortalecendo o consumo de diversos ingredientes. O objetivo principal da chegada dos imigrantes na região Sudeste do Brasil era trabalhar na lavoura do café, já a imigração para a Região Sul do país tinha o objetivo de ocupar áreas pouco povoadas. Segue um resumo histórico da chegada dos imigrantes.

1744 – As primeiras famílias de imigrantes que aportaram no Sul eram constituídas de portugueses das Ilhas de Açores e da Madeira, que vieram para o Brasil por determinação da Coroa Portuguesa. O barreado ou carne barreada é um prato típico do litoral paranaense, sendo o mais tradicional do estado. A receita respeita um ritual de trezentos anos, e segundo alguns historiadores, teria sido trazida pelos imigrantes açorianos no século XVIII. O nome vem da expressão “barrear” a panela, com um pirão de farinha de mandioca, para evitar que o vapor escape e o cozido seque depressa.

1824 – As primeiras famílias não portuguesas foram de imigrantes alemães que chegaram ao Sul do país e construíram a cidade de São Leopoldo.

1850 – Os alemães chegaram em Santa Catarina, com Herman Blumenau, que fundou a cidade que leva seu sobrenome. Os alemães trouxeram seus costumes e receitas como carnes defumadas, salsichão, chucrute, pão preto, bolo floresta negra. Foram eles também que trouxeram os processos de fermentação e produção da cerveja, adaptada ao paladar brasileiro e servida de uma forma mais tropical, estupidamente gelada, diferente do padrão europeu.

1875 – Nas terras de Garibaldi, Caxias do Sul e Bento Gonçalves, os imigrantes começaram a plantar uvas e produzir vinhos. Em toda zona rural da região Sul do Brasil, é possível degustar os pratos que incluem as preparações citadas, além do vinho, da grappa (aguardente de uva) e do café colonial preparado pelas famílias descendentes de alemães e italianos. Muitos italianos foram para São Paulo, onde se fixaram em busca de oportunidades e abriram as cantinas. No início do século XX, as cantinas viraram pequenos restaurantes, decorados com os objetos pendurados como nos armazéns, onde produziam e comercializavam massas, pão, pizzas, polenta de milho e molhos característicos da cozinha italiana.

As Influências nas Diversas Regiões do Brasil

A gastronomia da Região Centro-Oeste é altamente influenciada pela pecuária, uma das principais atividades econômicas da região, daí a grande preferência da população por carne bovina, caprina e suína. O ciclo da imigração também trouxe influências africanas, portuguesas, sírias e italianas à culinária local. Além disso, a forte presença indígena liderou a preferência regional por raízes. Mato Grosso sofreu influência da culinária latino-americana, sobretudo nos ensopados de peixe. Devido à diversidade da fauna pantaneira, carnes exóticas e peixes típicos da região, como pacu, pintado e dourado, também fazem parte do cardápio local. Dois pratos representativos da culinária do Centro-Oeste, especialmente de Goiás, são o arroz com pequi e o empadão goiano, que pode ser recheado com linguiça, carne de porco, de frango, queijo e guariroba (uma espécie de palito amargo). Doces de frutas em compotas também são bastante comuns. Os pratos com peixes amazônicos são de hábito indígena, comuns em Mato Grosso, assim como no Mato Grosso do Sul. Neste último, percebe-se também a contribuição dos migrantes do Sul do país, que levaram o churrasco (com mandioca), o arroz de carreteiro (tropeiros) e o tereré, uma variação gelada do chimarrão bebido quente nos pampas gaúchos.

Furrundu

Um doce típico do pantanal mato-grossense que espelha a mistura de povos e culturas no Brasil.

Até o século XIX, a cozinha da Região Sudeste era influenciada por portugueses, indígenas e africanos. Os portugueses, em especial, influenciaram bastante a comida dos estados do Sudeste. Veio dos “patrícios” o apreço pela carne de porco e os doces em Minas Gerais. No Rio de Janeiro, o bacalhau e a feijoada são heranças dos antepassados lusitanos. Pratos com peixes e frutos do mar, como a moqueca capixaba, são o carro-chefe da culinária do Espírito Santo, que carrega vários traços da alimentação indígena. A culinária capixaba é um pouco diferenciada, pois, em função da sua proximidade com a Região Nordeste, e sua grande área litorânea, há grande presença de peixes e frutos do mar. Após a chegada dos imigrantes japoneses, libaneses, sírios, italianos e espanhóis, a diversidade gastronômica aumentou, sobretudo em São Paulo, onde faz sucesso o cuscuz.

Angu à Mineira

Que tal apreciar um delicioso prato de Minas Gerais. O angu é muito fácil de fazer e pode servir de acompanhamento para diversos pratos.

A culinária nordestina são três: a sertaneja, a litorânea e a maranhense. A cozinha sertaneja é rústica e de resistência de acordo com a condição hostil climática da região. Uso de ingredientes de pouco cuidado, tais como: mandioca e suas farinhas, milho, feijão verde, feijão mulatinho e o feijão andu. As carnes são o carneiro, cabrito e bode, e deles tudo se aproveita, até os miúdos e o bucho. Para aumentar a durabilidade se faz a carne seca (jabá e carne de sol). Para adoçar, tem o melado e a rapadura.

A culinária do litoral nordestino permanece a farinha de mandioca e entra uma grande variedade de pratos com peixe (fresco, salgado ou seco), camarões e frutos do mar. Receitas acrescidas com leite de coco. Além disso, a fartura de rapadura, açúcar mascavo e melado faz a região ser rica em doces e bolos. Ainda temos a cozinha afro-brasileira, a cozinha de santo, de dendê, criada no Recôncavo Baiano, produto do sincretismo de culturas.

E finalizando o trio gastronômico nordestino, temos a culinária maranhense marcada pela influência portuguesa, indígena e francesa. Culinária de sobrevivência que resultou na consagração do arroz, que já crescia na forma silvestre na região e de ingredientes exóticos, como a azedinha. Arroz e farinha de mandioca são ingredientes básicos.

Bobó de Camarão

Prato típico da culinária do litoral nordestino. É um dos pratos mais pedidos na Bahia e bem popular em outros lugares do Brasil.

A região Norte é formada em grande parte pela Floresta Amazônica e de forma diferente do que aconteceu em outras regiões, nas quais diversas influências culinárias se mesclaram, no Norte prevaleceu a forma de cozinhar dos índios. Alguns chegam a considerar que a culinária do Norte é a genuína brasileira, pois é a que se formou com os recursos naturais, influenciada pelo povo que vivia no país antes mesmo da colonização. A cozinha original dos índios é simples. Alimentos assados, moqueados, tostados e, às vezes, cozidos. Eles não conhecem o açúcar e usam raramente o sal. A culinária nortista, em geral, é composta de peixes, mandioca, milho, ervas naturais, tapioca, farinha d’água e frutas silvestres. É com esses ingredientes que se fazem, por exemplo, o pato no tucupi e caldeirada de tucunaré que encantam os visitantes.

Moqueca de Banana da Terra

Na Amazônia é servido como acompanhamento do Camarão Marajoara.

A mistura étnica ocorrida na Região Sul resultou numa culinária completamente diferente da do resto do país, com a presença ainda mais marcante da cozinha Italiana e da alemã, além das já presentes portuguesa e espanhola. As “marcas registradas” são o churrasco gaúcho, pratos de influência alemã, em Santa Catarina (marreco recheado, strudel de maçã), e o barreado paranaense, preparado em panela de barro e de forte influência portuguesa.

Sagu

É uma sobremesa deliciosa e um prato típico do Rio Grande do Sul.

Pelo que vimos anteriormente. o Brasil possui uma infinidade de cozinhas. Qual é a melhor delas? Segundo Oscar Wilde, “A melhor cozinha, e a mais simples, é sempre a favorita daqueles com espírito aberto e cultivado.” Cada cultura gera uma gastronomia peculiar, com receitas, ingredientes, aromas, técnicas de preparação, maneiras de servir e até de comer. Também têm classificações particulares e regras precisas, tanto em relação à preparação como à combinação dos alimentos, relativa à colheita, à produção, à conservação e ao consumo. Uma cozinha típica vai além de uma lista de pratos “pitorescos”: ela é o reconhecimento de pratos como representativos de pertencimento a um grupo, a uma sociedade. Ou seja, é o modo pelo qual as pessoas querem ser vistas e reconhecidas. As cozinhas típicas são importantes elementos da IDENTIDADE CULTURAL, relacionada à cultura regional pelos costumes e comportamentos de um povo.

O Brasil é um país continental, de cultura mais diversificada e abrangente do planeta. Como vimos, o nosso povo é fruto de uma enorme miscigenação de culturas, o que fez com que ele se tornasse berço de movimentos culturais e criações culinárias em abundância. Conhecer a gastronomia brasileira é ir além de seus pratos, pois envolve o conhecimento das raízes do Brasil. Cada região tem suas próprias características, que resultam na mistura de tradição, ingredientes e alimentos locais. E não faltam opções, que permeiam por diferentes culinárias regionais e que abrangem os mais variados pratos, do mais simples e rústico à alta e sofisticada gastronomia.

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REFERÊNCIAS:

CULINÁRIA BRASILEIRA. Artigo publicado no site Portal São Francisco. Disponível em http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mulher-culinaria-brasileira/culinaria-brasileira.php Acesso em 28/02/2016, às 12h.

RADAELLI, Patrícia; RECINE, Elisabetta. Revisão: FERREIRA, Taísa. Alimentação e cultura. Apostila do Departamento de Nutrição da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (FS/UnB) e da Área Técnica de Alimentação e Nutrição do Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Política de Saúde do Ministério da Saúde (DAB/SPS/MS). 66 páginas. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/alimentacao_cultura.pdf Acesso em: 21/09/2016, às 21h.

SENAC, DN. A história da gastronomia / Maria Leonor de Macedo Soares Leal. Rio de Janeiro. Ed. Senac Nacional, 1998. 144p. il.

“A Idade Antiga ou Antiguidade é o período da história que segue a Pré-história. Vai desde o ano 4000 antes de Cristo, ano que marca a invenção da escrita, até o século V depois de Cristo, quando ocorreu a queda do Império Romano do Ocidente. É nesse período da história que Cristo nasceu, marcando o ano zero.” (LEAL, 1998, p.21)

“Por muitos séculos, o pão foi o alimento sólido, de base, em todas as classes sociais da civilização ocidental.” (SENAC, 1998)

Durante a Idade Antiga, diversas civilizações moldaram profundamente a alimentação humana e a gastronomia mundial, criando fundamentos que ainda hoje ecoam em diferentes culturas culinárias. Nesse período, os hábitos alimentares herdados da Pré-História passaram a ser praticados com maior estruturação e refinamento, tanto no preparo dos alimentos quanto nas formas de servir e receber. Surgiram os banquetes suntuosos, as cozinhas palacianas e os profissionais especializados, o que elevou socialmente os cozinheiros.

A agricultura já havia sido consolidada, e os cereais tornaram-se base alimentar em distintas regiões. Trigo, milho, cevada e arroz foram os principais grãos cultivados pelos povos antigos. Os gregos e romanos, por exemplo, disseminaram o cultivo do trigo por toda a Europa, onde ele era associado às classes mais abastadas, enquanto a cevada era destinada à plebe e aos escravizados. O arroz, cuja origem é disputada entre a China e a Índia, já era considerado planta sagrada pelo imperador chinês por volta de 2800 a.C. Com o tempo, espalhou-se por diferentes territórios e, atualmente, alimenta cerca de metade da população mundial.

O pão, símbolo universal de sustento, passou a ser preparado há mais de dois mil anos, provavelmente pelos egípcios, que também desenvolveram uma verdadeira arte da panificação, criando pães em múltiplos formatos. Nesse mesmo período, os hebreus, ao fugirem do Egito e vagarem pelo deserto, passaram a preparar o pão ázimo, sem fermento, por não terem tempo de esperar a fermentação. O fermento passou então a simbolizar, em certos contextos religiosos, a corrupção e a deterioração, e o pão ázimo permanece até hoje como um importante alimento ritual nas festividades judaicas. Por muitos séculos, o pão foi o alimento sólido básico para todas as classes sociais da civilização ocidental, sendo consumido de forma cotidiana, enquanto a carne, cara e escassa, permanecia reservada para ocasiões festivas[1].

Conforme na post PRIMÓRDIOS, as primeiras aldeias surgiram por volta de 7000 a 6000 a.C., mas foi apenas cerca de 3500 a.C., na região do Crescente Fértil, que as primeiras cidades se formaram, marcando o início de uma nova organização social, política e alimentar. Foi nesse contexto urbano, complexo e hierarquizado, que a mesa começou a refletir não apenas os sabores, mas também o poder, os valores e a identidade de cada povo.

Culinária do Vale do Indo

Mergulhe nos sabores milenares da civilização do Vale do Indo, onde o uso de grãos, frutas, especiarias e técnicas de conservação já revelava uma cozinha surpreendentemente sofisticada para a época.

Sabores do Egito Antigo

A mesa dos faraós nos convida a explorar uma culinária marcada por pães, cervejas, legumes e frutos do Nilo, revelando os hábitos alimentares de uma das civilizações mais emblemáticas da história.

Mesa Mesopotâmica

Descubra a riqueza gastronômica da Mesopotâmia, berço de muitas invenções, onde carnes, cereais, tâmaras e especiarias se uniam em pratos cheios de simbolismo e sabor.

Gastronomia da China Antiga

A China Antiga oferece uma herança culinária baseada no equilíbrio dos sabores e na sabedoria dos elementos, com arroz, soja, chás e condimentos marcando presença à mesa.

Civilização Japonesa

Delicadeza, respeito à sazonalidade e pureza dos ingredientes definem a tradição alimentar japonesa desde os seus primórdios, refletindo valores espirituais e harmonia com a natureza.

Costumes à Mesa dos Hebreus

Com forte ligação à religiosidade e aos ciclos da vida, a alimentação dos hebreus era baseada em regras alimentares precisas, com ingredientes simples, mas carregados de significado.

Sabores dos Fenícios

Navegadores e comerciantes por excelência, os fenícios levaram e trouxeram ingredientes e sabores, criando uma cozinha marcada pela diversidade mediterrânea e pelo uso generoso de ervas e azeites.

Culinária dos Hititas

Na antiga Anatólia, os hititas cultivavam uma culinária que unia práticas agrícolas com o consumo ritualizado de alimentos, valorizando o pão, o vinho e os produtos da terra.

Mesa do Império Persa

A opulência do Império Persa se refletia em suas mesas: banquetes fartos, uso refinado de especiarias, frutas secas e uma celebração constante do paladar e da fartura.

Alimentos na Grécia Antiga

Entre deuses e filósofos, a comida na Grécia Antiga era tanto necessidade quanto prazer, com azeites, queijos, vinhos e debates à mesa que nutriam corpo e espírito.

Culinária Romana

Da simplicidade camponesa aos banquetes imperiais, a gastronomia romana refletia a expansão do império, incorporando ingredientes, técnicas e sabores de todo o mundo conhecido.

Saberes Ancestrais

Antes da chegada dos europeus, as civilizações pré-colombianas já dominavam ingredientes como milho, batata, cacau e pimentas, formando culturas alimentares profundamente conectadas à terra.

Para saber mais sobre Gastronomia acesse: Conceitos e Teorias

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Eu sou graduada e pós graduada na área de gastronomia e compilei todos os anos de estudo em apostilas que estou transformando em um livro “Diário da Gastronomia. De Tudo… Um Pouco.” (Para saber mais acesse a página A Gastrônoma, A Autora, A Terapeuta, A Multiface). Através deste site postarei informações importantes que contribuirá para aumentar o conhecimento dos leitores na área de gastronomia A parte teórica pode ser encontrada na páginaConceitos e Teorias“. Quanto à prática, os leitores podem ir treinando com asReceitaspostadas. Todas as receitas foram previamente testadas.


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FONTES IMAGENS:

CAPA: Imagem de Adriana Tenchini

“A história da alimentação abrange, mais do que a história dos alimentos, de sua produção, distribuição, preparo e consumo. O que se come é tão importante quanto: quando se come, onde se come, como se come e com quem se come.” […] (CARNEIRO, 2003, p.2)

Antes dos fogões, panelas e receitas, havia a sobrevivência. A alimentação na Pré-História era guiada pela necessidade, pela natureza e pela adaptação ao meio. Neste capítulo, voltamos às cavernas, aos primeiros instrumentos de caça, à descoberta do fogo e ao surgimento da agricultura. Um mergulho na origem dos sabores e técnicas que, mesmo rudimentares, já davam os primeiros contornos da nossa cultura alimentar.

A Pré-História corresponde a cerca de 95% de toda a trajetória da humanidade, sendo um extenso período anterior ao surgimento da escrita, também conhecido como a época dos “homens das cavernas”. Trata-se de culturas pré-literárias, das quais restaram principalmente vestígios materiais. Segundo cientistas, os primeiros mamíferos semelhantes ao homem passaram a caminhar sobre dois pés – em vez de quatro apoios – há aproximadamente 3 milhões de anos.

Esse período pode ser dividido em três fases principais:

  • Paleolítico – de 3 milhões até cerca de 10 mil anos atrás.
  • Neolítico (ou Idade da Pedra Polida) – de aproximadamente 10 mil a 7 mil anos atrás.
  • Idade dos Metais – de cerca de 7 mil anos até o surgimento da escrita, por volta de 5.300 anos atrás.

A Descoberta do Fogo

Do calor da chama nasceu a cozinha. Veja como o fogo transformou a alimentação.

Os Primeiros Sabores

Raízes, frutos e animais. Como nossos ancestrais começaram a explorar sabores.

Cozinha: Era dos Metais

Do barro ao bronze. Veja como os utensílios mudaram o jeito de comer.

Para saber mais sobre Gastronomia acesse: Conceitos e Teorias


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CAPA: Imagem de David Mark por Pixabay


REFERÊNCIAS:

CARNEIRO, Henrique. Comida e sociedade: uma história da alimentação. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

CARVALHO, Jocyelli; VIEIRA, Juliana. Alimentos e Bebidas – Parte I a IV. Natal, RN: Apostila do curso superior de Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2005, 127 páginas.

FRANCO, Ariovaldo. De caçador a gourmet: uma história da gastronomia. 3ª ed. Revista e ampliada. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.

SENAC, DN. A história da gastronomia / Maria Leonor de Macedo Soares Leal. Rio de Janeiro. Ed. Senac Nacional, 1998. 144p. il.